A queda acentuada nas populações de vagalumes é uma preocupação crescente, também no Brasil.
Pesquisas recentes indicam uma diminuição alarmante desses insetos, que eram comuns nas noites de diversas regiões do país.
De acordo com a bióloga Jéssica Herzog Viana, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), e o professor Luiz Felipe Silveira, da Universidade da Carolina Ocidental (EUA), as principais ameaças aos vagalumes incluem a poluição luminosa, a degradação ambiental, o uso de pesticidas e a perda de habitats, sendo os dois últimos fatores os mais prejudiciais.
Esses problemas, originados principalmente pela ação humana, não afetam apenas os vagalumes, mas também outras espécies, como as abelhas nativas.
Jéssica explica que os vagalumes passam por uma metamorfose completa, com quatro fases distintas: ovo, larva, pupa e adulto. Durante as fases larval e adulta, esses insetos são capazes de emitir bioluminescência, embora as larvas prefiram ambientes úmidos, enquanto os adultos costumam ser observados voando ou repousando em áreas vegetativas.
Estão presentes em todo o mundo, sendo que suas larvas vivem em locais alagados, e os adultos, que têm asas, geralmente ficam nas proximidades desses locais.
Após atingirem a fase adulta, os vagalumes procuram seus parceiros. A maioria das espécies é noturna e utiliza a bioluminescência como forma de comunicação sexual, emitindo padrões de luz que ajudam a atrair os companheiros.
Algumas espécies diurnas, por sua vez, exalam feromônios para atrair seus parceiros pelo vento.
Curiosamente, em algumas espécies, as fêmeas adultas possuem asas atrofiadas, sendo os machos os responsáveis por voar até as parceiras para o acasalamento.
“Os órgãos bioluminescentes dos vagalumes estão localizados na parte inferior dos últimos segmentos abdominais. Nesses órgãos, uma substância chamada luciferina é oxidada, em um processo mediado pela enzima luciferase, utilizando ATP e íons de magnésio, o que resulta na oxiluciferina e na emissão de luz”, detalha a professora.
Embora ainda não haja informações completas sobre o estado de conservação de todas as espécies de vagalumes, Jéssica alerta que, devido à especialização de muitas delas, que vivem em habitats restritos, o futuro das populações é incerto.
A bióloga também menciona que está finalizando um estudo científico com o professor Silveira, descrevendo sete novas espécies de vagalumes de um gênero inédito para a ciência.
“É urgente que conheçamos melhor as espécies de vagalumes presentes em nossos ecossistemas para adotar medidas eficazes contra essas ameaças. No entanto, é evidente que a presença rotineira de grandes grupos desses insetos bioluminescentes em áreas naturais está se tornando cada vez mais rara”, conclui Jéssica.
Foto: Ruiruito/ Getty Images
Admilson Leme