Um esquema envolvendo inteligência artificial generativa e plataformas de streaming musical está no centro de uma das maiores investigações de fraude já registradas no setor nos Estados Unidos. Um homem da Carolina do Norte foi acusado por autoridades federais de criar centenas de milhares de músicas falsas com o uso de IA e manipular artificialmente o número de reproduções para obter ganhos milionários em royalties.
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), o suspeito, identificado como Michael Smith, utilizava ferramentas de IA para produzir músicas em larga escala, sem participação de artistas reais. As faixas eram então distribuídas em serviços de streaming populares, como Spotify, Apple Music e Amazon Music.
Para inflar os números de audiência, Smith teria operado sistemas automatizados de bots, capazes de simular o comportamento de ouvintes humanos. Para as plataformas, as execuções aparentavam ser legítimas. Na prática, tratava-se de um público falso, criado exclusivamente para gerar receita.
Segundo a acusação, o esquema teria rendido mais de 10 milhões de dólares em royalties, valores que, de acordo com as autoridades, deveriam ter sido destinados a músicos e compositores reais. O montante ainda é tratado como estimativa e será analisado ao longo do processo judicial.
O suspeito responde por fraude eletrônica, conspiração e lavagem de dinheiro. Caso seja condenado, as penas podem chegar a até 20 anos de prisão por acusação, conforme a legislação federal norte-americana.
Alerta para a indústria musical
O caso reacendeu o debate sobre os impactos da inteligência artificial na indústria da música, especialmente no que diz respeito à remuneração justa de artistas e à integridade dos sistemas de streaming. Especialistas apontam que a facilidade de criar conteúdo em massa com IA, aliada à fragilidade dos mecanismos de detecção de fraudes, representa um desafio crescente para o setor.
Plataformas digitais têm investido em tecnologias de monitoramento e identificação de padrões suspeitos, mas o episódio mostra que os métodos atuais ainda podem ser burlados em larga escala.
O processo segue em andamento, e o acusado é considerado inocente até eventual condenação pela Justiça.
Admilson Leme

















