Os números de pessoas infectadas com o novo coronavírus vêm crescendo em todo o país e não é diferente no Paraná. Desde que a pandemia começou, o Estado registrou, até essa quinta-feira (25), 17.618 casos e 526 mortos em decorrência da doença, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Para tentar conter o avanço, as autoridades públicas têm reforçado a orientação à população de manter o distanciamento social. Uniram-se a essa luta as entidades representativas da Saúde, como Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa), Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar), Associação dos Hospitais do Paraná (Ahopar) e Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar).

De acordo com o presidente da Femipa e do Sindipar, Flaviano Feu Ventorim, a estrutura dos hospitais está preparada para um limite de atendimento. Porém, o risco surge quando a demanda é muito alta. Além disso, Ventorim alerta que, nessa época do ano, mais pessoas procuram os hospitais, em função do frio, que traz uma série de doenças respiratórias, o que também ajuda a sobrecarregar o sistema de Saúde.

“O que precisamos, neste momento, é segurar o contágio. Temos sentido, desde o início, que quanto mais achatamos a curva, mais as pessoas resolvem sair. Vemos muitos cidadãos na rua, os supermercados lotados, há muita organização de festa, de eventos. As autoridades têm alertado que o vírus age de uma forma muito sorrateira e contamina nas coisas mais simples. O apoio agora é fundamental. Não fazer festas, não participar de aglomerações, evitar sair de casa, se puder. Temos que nos precaver de um grande volume de pessoas contaminadas ao mesmo tempo. Precisamos que a população se cuide, para que nós possamos cuidar de quem se contamina”, ressalta.

Na avaliação do presidente da Femipa, tanto municípios, quanto o Estado têm buscado organizar o sistema e a estrutura para atender os pacientes, com abertura de hospitais que estavam fechados, remanejamento de perfis de pacientes para outros hospitais, entre outras medidas. Ele salienta que todos estão trabalhando de forma efetiva para garantir o apoio à população.

Por isso, mais uma vez, Ventorim reforça que o distanciamento social é fundamental para evitar uma contaminação em massa e, assim, fazer com que o sistema de Saúde fique sobrecarregado. Segundo ele, se muitas pessoas se contaminam ao mesmo tempo, não há estrutura que consiga suportar a sobrecarga. Portanto, evitar um colapso do sistema só será possível com a população se protegendo e ajudando o sistema de saúde como um todo. Para o presidente da Femipa, essa é uma questão de responsabilidade social.

“Queremos que a economia se restabeleça logo, mas, nesse momento, precisamos do distanciamento social. Determinadas atividades, festas e aglomerações podem esperar. Podemos ser melhores enquanto sociedade. O que não podemos aceitar é acontecer uma festa e, depois, termos 15 pessoas contaminadas ao mesmo tempo chegando num hospital. Elas não vão descobrir essa contaminação na festa; vão perceber cinco, oito dias depois, e aí é que está o problema: essas pessoas vão, ao mesmo tempo, procurar uma estrutura de saúde; e até isso acontecer, continuarão contaminando mais pessoas. Nesse caso, não adianta ter leito, porque o sistema não vai dar conta. Não podemos deixar a responsabilidade somente para as secretarias de saúde e para os hospitais. Jogar a responsabilidade para os serviços de saúde como um todo é se isentar da sua própria responsabilidade. Então, nesse momento, devemos ser responsáveis socialmente para garantir a vida das pessoas. Somente o distanciamento social poderá ajudar a resolver a situação que estamos entrando”, declara.