Primeira emissora de televisão do mundo a transmitir, ao vivo, sessões de julgamento da Suprema Corte de um país a TV Justiça do Brasil é mais uma invenção vinda do ego das autoridades deste nosso querido Brasil em sua sanha na busca de mais mordomias, poder e vontade de aparecer.
Achando que as emissoras comerciais não informavam de maneira efetiva as notícias sobre questões judiciárias, usaram a desculpa de criar meios para que o público acompanhasse o dia a dia do Poder Judiciário e suas principais decisões, favorecendo o conhecimento do cidadão sobre seus direitos e deveres.
Com desculpas como uma nova na perspectiva de informar, esclarecer e até mesmo de aumentar o acesso à Justiça, além de deixar mais transparentes suas ações e decisões, na prática o que assistimos foi a criação de mais um grande cabide de emprego, novos custos e em especial o desfile destas autoridades diante do vídeo com toda sua “pompa” e “ajudantes gerais” de prontidão para levar uma nova taça de cristal ou mesmo movimentar a confortável cadeira (ou poltrona) para melhor acomodar e ajustar o ego e destacar ainda mais o poder destes privilegiados justos e portentosos.

Aqui cabe uma poesia que escrevi há muitos anos:

Justos ajustes

Neste temerário mundo das leis, os homens
A tudo querem ter, sem no mais se perder.
Nesta ânsia de grandes conquistas vis e vãs
Seguem pelas avenidas desnudas do poder
Ignorando a todos de fora de seu potentado.
Quietos cantam seus vivas, vitórias e glórias
No dominar este mundo que os olha plácido.
Elevam aos céus suas preces e cantilenas
Em busca de conquistar aqui seu mecenas
Enquanto distantes da realidade ao redor,
De leis em leis vão criando seu mundo novo
Emergindo do belo enunciado encomendado
Tão justo para quem o domina e tanto mima
Inexistente a quem distante do mesmo perece.
Seguem a justiça justificada deste caminho turvo
Em cada dia novos adágios como ágio aos “justos”
Da clausura saem com seus ajustes e intérpretes:
Em instantes, diante dos pareceres de “renomados”
Ditam alternativas e caminhos no justificar ações
Onde os do poder absorvem para absolver os seus
Assim; justa a si mesma, segue adiante esta mutante.