Estima-se que mais de 350 espécies de animais silvestres façam parte da fauna da cidade de Curitiba. A informação é do início de um trabalho de inventário, que vem sendo feito pela equipe do Museu de História Natural Capão da Imbuia, do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. 

A lista dos animais mais conhecidos e já avistados – formada por aves, mamíferos, répteis, insetos, entre outros, está disponível no site da Rede de Proteção Animal para consulta da população.

O material, embora ainda em fase preliminar, é uma ferramenta de Educação Ambiental para proteção e conservação da fauna, de acordo com o diretor do Departamento responsável pelo levantamento, Edson Evaristo.

“As características de Curitiba permitem a existência de uma rica biodiversidade e presença marcante de animais convivendo com a população e isso é muito valorizado por quem vive aqui”, revela. “E quanto mais se conhece, mais se ajuda na proteção”, acredita.

Cada uma das fichas biológicas apresenta uma espécie, suas principais características e curiosidades, além dos locais onde elas podem ser vistas na cidade, tudo em linguagem bastante acessível. É possível saber mais sobre figurinhas fáceis de se ver por aí, como os quero-queros, as capivaras, e as temidas aranhas marrons, por exemplo.

Encontrei um animal por aí, e agora?

Uma das principais razões que favorecem a biodiversidade em Curitiba é a extensa área verde que a cidade possui. De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, são mais de 60 m² por habitante, distribuídos por parques, bosques, praças, bosques de conservação, reservas particulares, entre outros. 

Então, não é difícil se deparar com algum animal silvestre em ambiente mais urbano. “Em áreas de mata nativa e de proteção ambiental, parques, bosques ou mesmo no quintal de sua casa, deve-se procurar apenas observar e admirar”, lembra Evaristo. “É fundamental respeitar o comportamento natural dos animais para garantir a convivência harmônica entre os humanos e as demais espécies”, completa o diretor.

Também é importante nunca retirar um animal silvestre de seu habitat e nem o transportar para outros espaços. Algumas espécies são únicas e estritamente presentes naquele habitat, as espécies endêmicas. O seu transporte para outros locais e a soltura indiscriminada, especialmente noutras cidades e regiões, poderão acarretar, entre outras coisas, uma expansão populacional em detrimento de outra espécie nativa, ocasionando um desequilíbrio ambiental.

Se encontrar crias sozinhas, não há necessidade de alimentá-los e nem mesmo capturá-los e removê-los do seu habitat, o que pode causar prejuízos para a qualidade de vida destes animais. Grande parte dos filhotes depende intensamente de cuidados dos genitores, principalmente quando se trata de alimentação. Isso acontece especialmente no caso das aves, que quando retiradas de perto dos pais, têm as chances de sobrevivência diminuídas.

Quando e como agir

Se não houver perigo iminente, como a presença de possíveis predadores, ou se o animal estiver em boas condições de saúde, não é necessário interferir. Do contrário, ele pode ser levado a um local seguro, próximo de onde foi encontrado para que mantenha o vínculo com os pais, desde que sejam tomados alguns cuidados.

O diretor ressalta que se deve levar em consideração a imprevisibilidade do manejo de animais silvestres, em relação a riscos e possíveis acidentes. No caso de animais jovens também vale a orientação, pois em resposta de proteção ao filhote, os pais (que deverão estar por perto) podem investir contra as pessoas.

A orientação do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna é para que sempre que possível a população anote o lugar e o momento em que o animal foi visto e informe aos profissionais da área na sua região, para que possam manter o monitoramento se julgarem relevante.

Caso encontre um animal silvestre ferido ou órfão (certifique-se de que realmente os pais não estão por perto), você poderá encaminhá-lo ao Centro de Apoio à Fauna Silvestre de Curitiba (CAFS), que fica na Rua Prof. Nivaldo Braga, 1369, Capão da Imbuia. O local funciona de segunda a domingo, das 9h às 12h e das 13h30 às 16h. O telefone é o (41) 3313 5626.