Assaltos viram rotina na região e deixam moradores em estado de alerta
Bruna Oliveira

Há cerca de dois meses, moradores do bairro Umbará transitam pelas ruas acompanhados pelo medo. O motivo? Assaltos constantes, seja em forma de arrastão nos ônibus alimentadores, abordagens na rua, em pontos de ônibus, no comércio, seja invasão à residências. Amedrontada diante da insegurança, a população que vive na região vive assustada, pois é difícil um dia em que não se fale de um novo episódio de violência.
Em meio à tantas vítimas, as histórias são parecidas. Geralmente, os ladrões chegam armados, dão voz de assalto e saem sem deixar rastros. Uma moradora que não quis se identificar conta que seu filho de 16 anos, estava a caminho da escola quando foi surpreendido por dois homens. Os criminosos levaram o celular do menino e, ao sair, ainda deram uma coronhada na cabeça dele. Revoltada, a mãe desabafou: “É uma covardia. Você como mãe sempre está preocupada naturalmente, agora, quando acontece uma coisa dessas, a sensação é ainda pior. Nós não temos viaturas, nos sentimos com medo de sair de dentro de casa e em resumo o bairro está completamente abandonado”.
O cobrador de ônibus e morador do bairro, Paulo Almeida já foi assaltado três vezes e por conta disso ficou traumatizado.
“Agora eu tento esconder o celular o máximo possível, quando saio e chego em casa fico atento, olho pelos retrovisores do carro para ver se não tem ninguém. A sensação que eu tenho no bairro é de muita insegurança”, conta.
Diferente dos dois casos anteriores, o jovem Vinicius William não perdeu apenas bens materiais. No dia 4 de julho, foi assaltado pela 8ª vez, e, infelizmente acabou por reagir e acabou atingindo com um tiro na cabeça.
Durante 11 dias, Vinicius ficou em coma induzido mas acabou não resistindo e faleceu no dia 16 de julho. O caso gerou comoção na comunidade que clama por justiça. Vinicius era muito conhecido e querido por todos, sempre sorridente, cresceu no Umbará e partiu precocemente, deixando muita saudade em todos.

Protestos, indignação e revolta
Em reação à indiferença das autoridades, os moradores buscam alternativas para avisar uns aos outros sobre os assaltos, além de discutir o que pode ser feito e como pode ser feito. Um destes meios é o grupo na rede social Facebook chamado “Sou do Umbará” que atualmente conta com 7.349 membros. Diariamente, as pessoas realizam postagens de alerta sobre casos suspeitos e também sobre casos confirmados.
Foi por meio deste grupo que os moradores organizaram uma manifestação realizada no último dia 8 de julho. Ao todo, cerca de 200 pessoas participaram do ato. No início houve um bloqueio do viaduto próximo ao Centro de Treinamento do Atlético .Em seguida, a mobilização ganhou força e durante 4 horas, a população bloqueou o Contorno Leste nos dois sentidos da BR-116. Além de impedirem a passagem de veículos com pneus e galhos de árvores, palavras de ordem e cartazes foram usados para pedir socorro e justiça pelo caso de Vinicius. A Polícia Rodoviária Federal acompanhou toda a movimentação.
Atualmente, os moradores estão coletando assinaturas para um abaixo-assinado e a ideia é entregá-lo à Secretaria de Segurança Pública.

Outro lado
A equipe do Gazeta do Bairro procurou o Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) que atende a região. O presidente do órgão, Alvaro Cavichiolo afirmou que tem consciência da gravidade da situação e que algumas providências já estão sendo tomadas.
“Infelizmente a violência não atinge só o bairro. Há 15 dias, o CONSEG protocolou uma solicitação na Secretaria de Segurança Pública (SESP) pedindo uma reunião entre os membros do conselho e as autoridades”.
Além do contato com a SESP, o órgão informou que todo mês realiza uma reunião com os moradores do bairro para ouvir as demandas. A próxima será no dia 4 de agosto (quinta-feira) às 20h, no salão da Comunidade Nossa Senhora da Vitória que fica na Rua Romário Gonçalves, no Umbará.
Em nota, a Polícia Militar informou que as viaturas fazem policiamento ostensivo na região, porém “com os meios humanos e materiais disponíveis” e que procura atender a todas as ocorrências, priorizando as que oferecem risco à vida.
A PM ainda reforça cerca 2 mil alunos soldados estão em formação e, “assim que estiverem prontos, serão distribuídos em todo o estado, principalmente nas regiões com maior necessidade”, o que será benéfico para o bairro.
A PM também pede a colaboração dos moradores que souberem informações como placas de veículos, horário dos assaltos e características dos autores. De acordo com o órgão é importante sempre registrar um boletim de ocorrência e repassar todas as informações para a Polícia Civil, que é responsável pela investigação e identificação dos suspeitos.