Imagine um lugar com moradias para várias faixas de renda, muito espaço para lazer, áreas de circulação exclusivas para pedestres e ciclistas, acessibilidade, creches, escolas, unidade de saúde, liceu de ofício, locais de comércio e serviços, hortas comunitárias, sistema viário inteiramente planejado, transporte coletivo, manejo inteligente dos resíduos sólidos, implantação de um equipamento cultural para valorizar as tradições da região e, para completar, tudo cercado por amplas áreas verdes.
Isso poderá se tornar realidade para cerca de 4.700 famílias, no bairro Campo de Santana, a partir de um projeto proposto pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), num trabalho realizado em parceria com a Cohab. O projeto, inédito no Brasil, baseia-se no conceito de redesenvolvimento urbano, instrumento previsto no texto do novo Plano Diretor de Curitiba. A meta é garantir a ocupação ordenada da região, que é cercada de áreas verdes, garantindo assim a preservação ambiental.
Ele já foi apresentado aos proprietários de áreas na região e tem sido discutido em uma série de reuniões com todos os envolvidos. “Sabemos que é um projeto que foge dos padrões, mas acreditamos em sua viabilidade por se tratar de uma operação que beneficiará a todos: proprietários, moradores, comerciantes, prestadores de serviço, investidores e poder público”, afirma o presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires.

Radiografia atual da região

• Atualmente, 40% da área apresentam restrições urbanísticas (pela passagem do oleoduto da Petrobrás, existência de linhas de alta tensão da Copel e da Eletrosul, e previsão de traçado da Via Metropolitana) e ambientais (pela proximidade com o rio Barigui e outros cursos d’água, presença dos bosques de vegetação nativa e existência de cavas).
• Por se tratar de um Setor Especial de Ocupação Integrada (SEOI), o zoneamento urbano de Curitiba prevê que, do total de áreas sem restrições de uso, 40% sejam doados para a implantação de equipamentos públicos e comunitários.
• Na atual configuração, a grande maioria dos lotes não possui frente para a rua.
• O zoneamento atual permite apenas a implantação de comércio e serviços de pequeno porte.
• A construção de edifícios na região tem altura limitada em quatro pavimentos.
• Existe a ameaça constante de invasões e ocupações irregulares nas áreas com restrições de uso.
• Se for implantando somente o projeto Minha Casa Minha Vida, a legislação federal que rege este programa não permite que a área seja ocupada com equipamentos públicos, o que gera problemas sociais pela falta de creches, escolas e postos de saúde, desvalorizando a região.