Thomas Lovejoy (de gravata borboleta), durante a COP21, em Paris. Guilherme Karam e André Ferretti (à esq.) e Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA).

O Acordo de Paris, assinado no último dia 12 em Paris, recebeu análise positiva das entidades que acompanham as discussões da COP21 em Paris. O material mais enxuto (com 27 páginas) e cerca de 50 colchetes, isto é, pontos de dúvida que não são consenso e, por isso, podem cair a qualquer momento.
O avanço é indiscutível, segundo a avaliação do coordenador de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza Guilherme Karam, que acompanhou as negociações em Paris.
“O fato de os países se comprometerem a manter o aumento da temperatura da terra bem abaixo dos 2º Celsius, tentando chegar a 1,5ºC, é excelente indicativo de um acordo robusto”, destaca. Segundo ele, também merece destaque o fato de que o texto prevê recursos do Green Climate Fund para os Planos Nacionais de Adaptação às Mudanças do Clima, instrumentos dos governos nacionais elaborados junto à sociedade para promover a redução da vulnerabilidade à alteração climática.
Apesar dos avanços, o coordenador afirma que é preciso estar atento a pontos importantes que estão em aberto. “O maior colchete do acordo é com relação ao financiamento: ainda não está claro quem pagará a conta, qual o valor a ser pago e como funcionará essa transação”, diz. O texto do rascunho atual estimula fortemente países desenvolvidos a “ampliar a escala de seus níveis de apoio financeiro”. Além disso, indicam uma estratégia concreta para atingir a meta conjuntamente para prover US$ 100 bilhões anualmente até 2020 para mitigação e adaptação às alterações do clima. “Mas nada está efetivamente definido”, comenta Karam.