Opinião

O Poder dos Ministros do STF precisa ser freado

No alto da Praça dos Três Poderes, ergue-se um templo de mármore onde onze togados exercem um poder que fermenta como amido: incha, ocupa espaço e endurece quando confrontado.

No alto da Praça dos Três Poderes, ergue-se um templo de mármore onde onze togados exercem um poder que fermenta como amido: incha, ocupa espaço e endurece quando confrontado. Ali, mordomias viram rotina e salários extras se penduram como enfeites num cabide de benesses surreais.

São auxílios, gratificações e "penduricalhos" costurados ao contracheque que esticam a Constituição como elástico de paletó importado. Lagostas à mesa em eventos oficiais, contratos milionários que circulam ao redor, sociedades discretas que regam as mesmas mãos que deveriam apenas julgar. Tudo sob o verniz de discursos bem estruturados, lidos em plenário com voz grave e pose de eternidade.

Julgam-se entre pares. Avaliam as próprias falhas, absolvem as próprias dúvidas e carimbam-se mutuamente como ilibados. Nenhum risco, nenhum rabisco fora da linha que eles mesmos traçam. Portam-se como deuses no Olimpo de vidro e concreto, blindados por segurança máxima e por dezenas de assessores que lhes prestam honras, redigem votos e dão cabo de cada afazer enquanto o país assiste aqui de baixo.

De carteirinha na mão, transitam como potentados intocáveis. O prédio é luxuoso, a liturgia é impecável, e o poder  esse amido  segue fermentando, alimentando a si mesmo, longe do fogo baixo da realidade que dizem interpretar.

Pra terminar é sempre bom lembrar: poder sem freio tende a seguir o caminho da arbitrariedade que esmaga, e não imagino alguma santidade no supremo. Pesso limite, porque lagosta na mesa dos ministros tem gosto de sal amargo na mesa do povo. E estes penduricalhos absurdos para os de toga se apresentam como se estivessem rasgando a Constituição que juraram proteger.


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