Nos últimos meses, um assunto inusitado dominou as redes sociais e as mesas de bar: a suposta oficialização do sexo como esporte na Suécia.
De acordo com relatos virais, o país teria organizado o primeiro Campeonato Mundial de Sexo, uma competição que transcenderia o tabu para se tornar uma prova de resistência, técnica e até erudição histórica.
Mas o que há de verdade por trás dessa história que mistura "atletas do prazer" e o milenar texto do Kamasutra?
A Anatomia do Boato: Regras e Teoria
A notícia que circulou descrevia um evento extremamente estruturado. Segundo os relatos, os competidores seriam avaliados em 16 disciplinas ao longo de várias semanas. O grande diferencial, que chamou a atenção de intelectuais e curiosos, era o sistema de pontuação híbrido:
Desempenho Físico: Avaliação de resistência cardiovascular, força e técnica.
Conexão e Criatividade: A química entre os parceiros e a capacidade de inovar sob pressão.
O Fator Intelectual: Pontos valiosos seriam atribuídos a quem demonstrasse domínio teórico sobre as posições e a filosofia do Kamasutra.
Essa exigência transformaria a arena em um centro de saber cultural, onde o competidor deveria ser, ao mesmo tempo, um atleta e um estudioso da história erótica mundial.
O Balde de Água Fria: A Realidade dos Fatos
Embora a narrativa seja fascinante, a realidade é menos cinematográfica. O caso começou quando Dragan Bratic, um empresário do setor de entretenimento adulto na Suécia, fundou a "Federação Sueca de Sexo" e solicitou a adesão à Confederação Sueca de Esportes.
A resposta das autoridades foi curta e grossa: o pedido foi rejeitado. A Confederação Sueca de Esportes declarou formalmente que a solicitação não cumpria os requisitos técnicos e éticos para ser considerada uma modalidade esportiva oficial. Portanto, a Suécia nunca reconheceu o sexo como esporte.
Por que acreditamos?
O sucesso da "fake news" deveu-se à riqueza de detalhes. Ao incluir tabelas de pontuação e a exigência de conhecimentos sobre o Kamasutra, os criadores do boato deram uma aura de legitimidade ao evento. No fim das contas, o "campeonato" foi uma tentativa privada de marketing que ganhou proporções globais graças à nossa curiosidade pelo bizarro.
O Veredito Final
O Campeonato Mundial de Sexo, nos moldes em que foi divulgado, não existe como esporte oficial. O que vimos foi um caso clássico de marketing viral que utilizou o prestígio da cultura milenar indiana e a fama de liberdade sexual da Suécia para capturar cliques.
A busca pela "excelência total" entre o corpo e a mente continua sendo um objetivo pessoal e filosófico, mas, por enquanto, as medalhas de ouro continuam restritas às pistas de atletismo e às piscinas olímpicas.