A mudança de rotina e a obrigatoriedade de passar mais tempo em casa em razão das medidas de distanciamento social também afetam e podem estressar os pets. Mas não é tão complicado manter os bichinhos saudáveis e felizes com as dicas da veterinária da Rede de Proteção Animal, Cláudia Terzian.

Especialista em comportamento animal, Cláudia lembra que cães e gatos são animais sociais, ou seja, necessitam interagir com os membros de seu grupo social, seja ele composto por outros cães, gatos ou humanos.

“O simples fato de ficarmos juntos no mesmo cômodo é altamente recompensador e traz aos pets sensação de segurança e conforto”, diz Cláudia. “Da nossa parte, principalmente, para as pessoas que moram sozinhas, neles encontramos o nosso abraço, o contato que perdemos com as pessoas”, completa.

Ela reforça que não há caso de transmissão comprovada do coronavírus de cães ou gatos para pessoas.

Como trabalhar em casa e cuidar do pet?

De acordo com a veterinária, fazer pausas durante o trabalho ou afazeres domésticos para curtir o pet faz muito bem ao animal e, ainda, alivia o estresse e aumenta a produtividade dos humanos. Mas é importante estabelecer horários para tudo.  

Entre as atividades sugeridas para as pausas estão os cuidados como escovar e retirar os nós dos pelos, para prevenir problemas de pele; sessões de carinho e massagem; brincadeiras ao ar livre (no quintal, varanda ou área comum de um prédio, se for permitido); de buscar a bolinha (que pode ser no corredor de casa mesmo); ou só assistir a programas de TV juntos no sofá.

Ele também pode brincar sozinho?

Esse estímulo é importante, lembra a veterinária da Rede, principalmente para o momento em que o tutor vai precisar voltar ao trabalho e passar menos tempo em casa novamente. “Ou ele vai sentir muito a sua falta quando a necessidade do distanciamento social acabar”, alerta.

Os brinquedos ou objetos devem ficar, preferencialmente, em um cômodo distante de onde o tutor estiver nesse momento. Assim, ele pode manter as suas atividades e afazeres enquanto o animal se distrai com as brincadeiras.

Podem ser usados brinquedos de roer, como os que imitam ossos e de nylon duro; e também os recheados com petiscos e frutas. “Até mesmo um papelão enrolado com petisco dentro pode ser um bom entretenimento”, sugere Cláudia. 

Seu cão é de grande porte e você mora numa casa com quintal? Uma ideia é providenciar um coco verde já sem a água para o animal se divertir desfiando a fruta. 

Como deixá-lo mais comportado?

O maior tempo em casa é também uma vantagem, segundo Cláudia, para ensinar truques e comandos para os cães e gatos. “Os comandos são uma brincadeira que faz o animal prestar atenção ao que você quer, aprender a obedecer e, como prêmio, ganhar um petisco com o sabor da atenção exclusiva do tutor”, explica.

É importante estabelecer regras claras: ou pode sempre ou não pode nunca. Permitir algo de vez em quando pode confundir seu cão. Isso vale para, por exemplo, poder ou não subir no sofá, ganhar comida na mesa, entrar dentro de casa ou dormir na sua cama. 

Pode sair para caminhar?

As saídas rápidas para caminhar com o cão não estão proibidas. “Elas não precisam ser um evento social, mas é um momento que vai fazer bem tanto para o cão quanto para o seu tutor”, pondera Cláudia Terzian. “Faça essa caminhada sozinho com seu cão e mantenha distância das outras pessoas que estiverem na rua”, orienta.

Na volta, é importante apenas lembrar de seguir todos os passos da higienização – de chaves, telefone celular, óculos e também do pet – para não trazer o vírus para dentro de casa. Cláudia ainda dá a ideia de usar uma esteira para que o animal possa se exercitar. Além das brincadeiras já sugeridas acima, todas sem precisar sair. 

Mas, e se o tutor precisa sair sozinho?

As saídas do tutor pedem que sejam preparadas as opções para o cão brincar sozinho (relacionadas acima). “Assim ele associa as suas saídas a ganhar coisas legais”, justifica a veterinária. “Lembre-se de não se despedir na hora de sair, o que vai fazer com que ele relacione a saída a um momento tenso e triste”, completa.
 
Também não é recomendado que se faça festa quando chegar em casa. “Alguns cães ficam ansiosos, esperando sua chegada. Fazer muita folia nessa hora aumenta essa ansiedade”, ensina. 

Cláudia desaconselha, ainda, as broncas, caso encontre alguma coisa destruída em casa ou xixi fora do lugar no retorno. “Esses dois comportamentos podem indicar que seu cão já sofre com a sua separação e a briga pode piorar o comportamento”, finaliza.