Dik Browne já contava com uma carreira como assistente no estúdio de Mort Walker com Recruta Zero e Hi and Lois (Zezé, no Brasil). Sua insatisfação vinha de não ter uma criação própria. Isso mudou em 1973 quando de uma imersão autorreflexiva criou o viking Hagar, o Horrível, uma das mais importantes e populares tiras de humor de todos os tempos.

De desenho cartunesco e extremamente agradável, o enredo se passa na Idade das Trevas, onde há um viking simplório, briguento, guerreiro, beberrão e, antes de tudo, pai de família da classe média! Junto ao bonachão protagonista, a galeria de coadjuvantes contempla a esposa ranzinza e incompreensiva, a filha belicosa, o filho erudito, mascotes com personalidade, o médico místico, além do companheiro burro e atrapalhado.

Browne fez de Hagar seu autorretrato, tanto na personalidade quanto fisicamente. Gordo e barbudo, diverte o leitor ao demonstrar o temor de afrontar a esposa e se decepcionar frente ao conflito de gerações com os filhos. Assim, Hagar viaja o mundo em busca de guerras e butins para fugir do cotidiano doméstico e social.

Em seus trabalhos Dik teve seus filhos Chris e Chance como assistentes artísticos. Quando da morte do pai em 1989, Chris, que coincidentemente também ficou parecido com o personagem, assumiu a tira em perfeita manutenção do nível artístico e humorístico, com pequenas atualizações para os novos aspectos da sociedade. A tira segue em produção.