– Pedro da Costa – 

O tempo e a morte são uma só coisa.
Viver o tempo significa viver a morte. E, a partir do momento em que o tempo desaparece, a morte desaparece. Portanto, quando você está completamente silencioso, quando nenhum pensamento se move em sua mente, o tempo desaparece. Você não pode saber quanto tempo se passou.
Se você viver no tempo, a morte virá um dia. Na verdade isso que eu disse não está correto. Ela já está aqui. A partir do momento em que uma criança nasce ela começa a morrer. Pode levar setenta ou oitenta anos para morrer, essa é outra questão. Ela morrerá lentamente, em parcelas, um pouco a cada dia, a cada momento. Ela continuará morrendo, morrendo, morrendo… E o processo se completa após setenta ou oitenta anos. Quando você diz que uma pessoa morreu hoje, não se deixe iludir por sua declaração. Ela esteve morrendo durante oitenta anos, e hoje o processo se completou.
Pense em uma vida sem a morte e será uma dor insuportável, uma existência insuportável e impossível viver sem a morte. A morte define a vida, lhe dá uma certa intensidade. Como a vida está passando continuamente, cada momento se torna precioso.
Se a vida fosse eterna que se importaria? Todos poderiam esperar pelo amanhã para sempre, então quem viveria o aqui e agora. Você tem que mergulhar no momento presente, tem que ir o mais fundo possível, porque ninguém sabe se o próximo momento virá ou não.
Se você for capaz de perceber esse ritmo estará em paz com a vida e com a morte. Quando a felicidade vem, ela é bem-vinda, quando a infelicidade vem, ela também é bem-vinda, sabendo-se que são parceiras de um mesmo jogo.
Isso é algo que precisa ser continuamente lembrado. Se você fizer disso uma lembrança fundamental, sua vida terá um sabor de desprendimento. Você permanecerá calmo, silencioso, aceitando o que der e vier.