Jornalista Humberto Schvabe

Se for levar, como se diz, “bem na ponta do lápis”, fazendo as contas e estudando os “arranjos” e apadrinhamentos necessários para chegar ao cargo de Juiz do Supremo, tenho de concordar com os deputados que estão reclamando destes senhores.
Afinal, para chegar ao supremo eles precisam do aval destes deputados. Para este sonhado cargo, o cidadão deve ter: mais de 35 e menos de 65 anos, ter notável saber jurídico e ser isndicados pelo presidente da República.
…mas, para ser confirmado no cargo, tem de receber o aval da maioria absoluta do Senado Federal, que assim só permite a entrada de amigos.
O que sobra para alguma distância entre “os de cada poder” é o fato de o cargo não ter mandato fixo: o máximo é a aposentadoria compulsória, aos setenta anos de idade. Assim quando alguém fica mais tempo no cargo, pode se distânciar dos deputdos, senadores e predidente, permitindo o que acontece hoje. Sem bem temos também algumas características peculiares nos ministros que ali estão, que fogem do tradicional, onde sempre se manteve uma relação muito mais que pacífica entre os três poderes.
Os poderes que pela própria natureza devem e precisam ser ocupados e partilhados entre poderosos. Se não for assim, raciocínio lógico, nem teria como ser um poder efetivo.
Veja por exemplo, as atitudes iniciais do nosso querido Papa Francisco. Será que em meio a todo o poder de Roma, convivendo e partilhando seu ministério com os tantos poderosos de sempre ele vai conseguir manter sua humilde postura? Mais que torcer, tenho rezado para que consiga.
Tentando entender um pouco mais o Supremo, sei que é composto de 11 pessoas, que julgam todo tipo de caso que consiga ser levado à última instância (qualquer tipo de caso), mas dali não passa.
Ele não é acionado somente em processos contra figuras públicas – como é o caso do mensalão, que está sendo julgado por eles. São muitas vezes mais de 100 mil recursos por ano. Um datelhe importante, entre as tantas ressalvas da justiça; a decisão do STF é definitiva, mas tem sempre um meio para alguns “mais”, como é o caso dos mensaleiros que mesmo com o julgamento feito, ainda continuam livres.
São os melindres, os ajustes e os direitos dentro dos meandres das ações humanas, das ações do homem, o único animal racional da face da terra.
Espero que entre todos os poderes um dia eu possa avocar aqueles que em meu nome foram conferidos a estes Sarneys e Renans que tanto me envergonham.