O mercado americano de HQs estava restrito a tiras de jornal, os autores recebiam boas remunerações pelos trabalhos publicados nos diários e eram acompanhados avidamente pelos leitores. Algumas tiras eram publicadas de forma seriada, com continuação do dia anterior.
Em 1929 os quadrinhos já eram uma forma de entretenimento bem estabelecida na imprensa mundial, quando na já exitosa tira Thimble Theatre surge um personagem que de tão popular tornou-se o nome da tira, o Marinheiro Popeye.
O personagem criado por Elzie Segar era um marujo, feio, bronco, caolho, fielmente apaixonado pela coadjuvante magra e feia, convivia com trambiqueiros, e tinha seu antagonista brutalhão e barbudo (uma alusão aos russos) por quem sempre era hostilizado. Quando comia sua porção de espinafre ficava superforte e resolvia todos os problemas na base do muque.
A identificação do público americano com o personagem de boa índole, inocente e com uma capacidade especial, neste caso a força, num ambiente adverso foi imediata e muito de acordo com os princípios e valores propagados na América desde sua fundação como nação.
Com Popeye foi evidenciada a base para o gênero de histórias em quadrinhos que dominaria o mercado americano a partir da próxima década. E no mesmo ano de 1929, início da maior crise financeira da História, iniciaria uma grande profusão de personagens de quadrinhos para entretenimento barato das pessoas, o que passou ser conhecido como Era de Ouro dos Quadrinhos.

Sérgio Mhais – [email protected]