“Como você explica isso?”
Perplexo, ouço essas palavras…
Querem que eu explique tudo, a luz, a vida, o espírito, o amor e outras maravilhas anônimas. Mas eu nada quero explicar, quem tudo explica, tudo implica e tudo complica.
Belas são somente as coisas quando inexplicáveis e eu quero a verdade em beleza. Verdade sem beleza fere, beleza sem verdade falha, verdade com beleza fascina…
Explicar – que palavra repugnante.
Explicar é desdobrar, dissolver em seus últimos componentes.
Ai de mim, se eu te explicasse!…
O teu composto não é a soma total dos teus componentes. Falta aos componentes preciosamente aquilo que de ti faz esse todo orgânico, misteriosamente vitalizado pelo sopro do imponderável, esse invisível QUE, esse fascinante ANÔNIMO, esse delicioso incógnito, essa LUZ CÓSMICA, que está dentro de todas as coisas, que é a alma de todos os corpos.
Não, não quero explicar, porque explicar é profanar e profanizar o que é sacro e puro.
Quero ter diante de mim ignotos, distâncias sem limites, escuridões profundas, alturas infinitas!.
Quero poder sonhar livremente, adivinhar, intuir, admirar, aforar, inebriar-me de mistério…
Tenho fome e sede do inexplicável dessa grande reticência, dessa enigmática esfinge, desses olhos imóveis, voltado ao deserto silene, plenos de vacuidade, da plenitude do infinito…
Enfastia-me o que ignoro… banal é o que penso. Puro e sagrado é o que adivinho. Para além de todas as fronteiras de eruditas explicações.

Pedro da Costa é Quiropata e Livre-Pensador