Certa vez ouvi de uma consciência – dessas que perambulam por aí,corcoveando como boi em banhado em busca de altruísmo – dizia:  “ peguem, olhem, leiam, mas leiam muito até vossos neurônios não suportarem mais…leiam os clássicos da história, leiam  Fiódor Dostoievski, Lima Barreto, William Shakespeare, Cecília Meirelles, Monteiro Lobato, Leon Tolstoi, Balsac, Clarice Linspctor, Homero, Aristóteles, Hermann Hesse e muitos que se fizeram bons nesta Terra, mas pelo amor à suas vidas leiam, por favor leiam..” e seguiu “eu não suporto tanta ignorância por metro quadrado que nem os animais suportam  quando um homem abre sua boca para falar algo da qual julga conhecer e que no fim não sabe é nada, leiam por favor…”. Quando eu, que escrevo neste periódico, li este apelo ou berreiro, pensei será que minhas cadelas de estimação não me suportam também? E o apelo continuava “o que estes professores sabem sobre educação a não ser esperar o ordenado do mês… e a Academia de Letras que outrora fora bem sucedida e hoje carrega homens que a violentam, os escritores, onde estão os bons escritores? Será que morreram todos os bons escritores deste país? – nesta parte do berreiro lembrei de Policarpo Quaresma, grande nacionalista, será que o infame tinha lido “Triste fim de Policarpo Quaresma”? Acho que sim, ele disse para ler Lima Barreto. Até certa altura do fraseado intermitente do berrante eu estava a concordar, até que ele veio com algo desagradável demais pra mim – “leiam, leiam qualquer coisa que tenha palavras, que esteja disposta em qualquer lugar, em cima de qualquer escrivaninha, mas leiam por favor..” – faltou ele dizer que era pra ler qualquer coisa que respirasse ou se movesse, sei que neste mundo nem tudo é possível, porém existem coisas impossíveis de acontecerem, quanto à consciência berrante nunca mais a ouvi por aí, deve estar em outros brejos a declamar sua utopia literária aos ouvintes mais surdos deste  país.