O Paraná vai resgatar o programa de conservação de solos e água que tornou o Estado referência nacional e internacional nessa área no final da década de 1980. Nesta segunda-feira (29), o governador Beto Richa e o secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, assinaram o decreto que institui o Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná.
Com o apoio da iniciativa privada, o programa busca a mobilização e conscientização de todos os produtores rurais paranaenses para que cumpram com suas obrigações de cuidar e preservar o solo e a água. A iniciativa também atende os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), adotados pelo Governo do Paraná.

Riqueza do Estado
Para o governador, o cuidado com o solo e a água garante a sustentabilidade da principal atividade econômica do Estado. “Essa iniciativa visa o desenvolvimento mais acentuado do Paraná. Não é um programa de governo, mas de Estado, diante da grande importância que ele representa para a agricultura, que é a base da nossa economia e que tem salvado a balança comercial brasileira”, afirmou.
Richa lembrou que as ações do programa já começaram, com a formação, em Paranacity, Noroeste do Estado, de agrônomos e técnicos agrícolas. “É mais uma ação em que somamos esforços com as entidades que representam o setor do agronegócio para qualificar nossos produtores rurais para ações de conservação, que é uma necessidade premente de nosso Estado”, afirmou.
Ele ressaltou, ainda, que as fortes chuvas que atingiram o Paraná no ano passado acarretaram graves consequências aos municípios, causando problemas nas lavouras e nas estradas. “Já fizemos um grande programa para a reconstrução das rodovias afetadas pelas chuvas. Agora investimos na conservação do solo, para evitar problemas maiores de erosão que afetem a agricultura”, ressaltou.

Três Frentes
O programa está sendo estruturado para ser executado em três frentes: capacitação, pesquisa e estímulo de boas práticas com os agricultores. “Será um alerta ao produtor de que ele deve plantar e gerar renda com a atividade, mas não pode descuidar do uso correto do solo e da água para manter a fertilidade natural de nosso Estado para as gerações futuras”, afirmou o secretário Norberto Ortigara.
Além disso, as ações já existentes do programa de Conservação de Solos em Microbacias serão integradas à iniciativa lançada nesta segunda-feira. O programa é promovido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e pelo Emater em 300 microbacias do Estado, com financiamento do Banco Mundial. “A ideia é que essas microbacias sejam unidades de referência para os agricultores nas regiões”, explicou Ortigara.
Retomada
O Paraná tem um histórico de 45 anos trabalhando com conservação de solos e água, com picos de participação e adesão dos produtores, como aconteceu no final da década de 1980 e início da década de 1990, quando o Estado foi referência nessas modalidades para outros estados e países.
Norberto Ortigara disse que algumas das práticas em que o Estado foi pioneiro, como a implantação do plantio direto, rotação de culturas e uso de terraços, foram deixadas de lado pelos produtores rurais com o passar dos anos.
A consequência disso é que em pouco tempo a riqueza que se tira da terra em termos de produção poderá ser menor do que o produtor vai precisar gastar para manter a fertilidade do solo, que deve ser natural.