Ao ler a notícia de que a Receita Federal bloqueou quase 150 mil declarações por irregularidades já no envio das mesmas, quando nem metade foi ainda entregue, me veio a triste lembrança do nosso querido campeão da Copa de 70 e sua “Lei de Gerson”, na defesa de levar vantagem em tudo.

Levar vantagem. Vantagem em tudo, parece na verdade um princípio de boa parte da população brasileira. É até difícil falar sobre isto. É triste e constrangedor ao mesmo tempo.
Tudo começa com a frases como: é assim mesmo – todo mundo faz – se eu não fizer, vem outro e faz.
Ter vergonha na cara pode parecer um termo chulo, mas é com certeza muito mais bonito que assumir a esperteza de enganar a Receita Federal, ou aceitar partilhar de um bem público, por exemplo.
E olhe que esta iniciativa não foi de iletrados não; são dirigentes de empresas, profissionais liberais, profissionais técnicos, os nossos queridos funcionários públicos e alguns aposentados que encabeçam esta lista de espertize. E isto quando todos poderiam muito bem servir de exemplo, por estarem numa situação de conforto acima da média da população.
Vamos olhar para a CPMI do bicheiro/empresário/amigo/doador. Tantas doações para campanhas, tantos sócios pelo Brasil afora. “Ele quer ajudar, tenho de aceitar”. Eram favores para situacionistas e oposicionistas. Afinal, nesta hora dinheiro é indispensável para garantir uma nova eleição.
Nossa! Olha lá! Este escândalo do Cachoeira desce de Brasília e Goiás, se esparrama pelo Mato Grosso e Santa Catarina, está respingando aqui no Paraná, no ex e no atual governador. Deixa prá lá. São apenas suposições… Assim vou fugindo da realidade que me cerca.
Mais fácil ficar lembrando que o Conselho de Ética do Senado voltou à ativa com nomes como Renan Calheiros e Fernando Collor. Tem gente pior lá em cima.
Escrevi tudo isto para lembrar ao amigo que aqui me acompanha todo mês: os novos cargos não devem ser vistos como uma fonte de privilégios e vantagens pessoais e grupais, mas sim como um compromisso passageiro, uma responsabilidade cívica.
Para responder a contento este desafio é fundamental ter coragem. Coragem, confiança, esperança e amor ao próximo, nos fortalecendo sempre na indispensável Fé.