Estudo foi realizado pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) da Universidade de São Paulo (USP).

Um estudo realizado em São Paulo com comunicadores de todo o país traça um panorama de como é trabalhar durante a pandemia de Covid-19 no Brasil. O estudo foi capitaneado pelo Centro de Pesquisas em Comunicação e Trabalho (CPCT) da Universidade de São Paulo. O centro é uma das principais referências no Brasil sobre estudos de trabalho e mais recentemente tem se dedicado a cobrir o trabalho dos jornalistas.

O artigo com a primeira parte dos resultados da pesquisa foi publicado na revista jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano, da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região. O texto trata  dos  resultados  da  pesquisa: Como trabalham os comunicadores  na  pandemia  da  Covid-19? A investigação não probabilística foi realizada no período de 5 a 30 de abril. O questionário  obteve 557 respondentes  comunicadores  de  todo  o  país, em diferentes atividades laborais. Os resultados discutidos neste artigo, mostram que há aumento das jornadas de trabalho, há intensificação da atividade laboral, com uso de equipamentos próprios, cujos custos oneram o comunicador; que intensificou-se o uso das plataformas e aplicativos no processo produtivo,  para  a  organização,  controle  da  gestão  do  trabalho,  da  rotina  produtiva  e, sobretudo, do fluxo de informação. 

Também foi percebido que as empresas, em geral, adotaram o home office e, quando a atividade não permite o distanciamento, criaram turnos mistos, presencial e a 

distância. No home office, os comunicadores precisam reorganizar o espaço doméstico e o acompanhamento dos filhos. Os entervistados se sentem mais cansados, inseguros com o futuro, temem o contágio, pela vida dos familiares, e a situação de colapso do sistema de saúde. Eles também preocupam-se com o trabalho: perder o emprego, ter  redução  de  salário,  perder  contratos  etc.  são  questões  que  atormentam  e  tornam  as  jornadas  mais  estressantes.  

Mesmo  com  todos  esses  problemas,  há  um  grande engajamento para a realização do trabalho. Segundo Roseli Figaro, professora da Universidade de São Paulo e líder do Centro de Pesquisas, “os comunicadores estão trabalhando sob estresse para realizar a tarefa fundamental de informar a sociedade em momento tão dramático, tanto em questões sanitárias e de saúde, quanto em relaçao aos direitos ao trabalho e enfrentamento às fake news.” 

O estudo completo pode ser acessado neste link: http://revistatdh.org/index.php/Revista-TDH/article/view/76/43