Pensando um pouco

Ramires

Pagadores de incompreensão

ensamentos e atitudes geralmente não são compreendidos e por vezes não aceitos, esta “regra ácida” de comportamento vale para as várias esferas da vida de homens e mulheres; no casamento, no trabalho, na vida acadêmica, na política (e esta geralmente não poupa a intenção mais nobre) e assim vai. Viver sem ser compreendido é quase um dilema torturante, principalmente se diz respeito àquilo que interessaria aos incompreensíveis e ignorantes. Na minissérie “O Pagador de Promessas”, mostra que nem os homens mais simples e humildes escapam da sórdida incompreensão; Zé do Burro ao tentar pagar sua promessa na igreja, não é compreendido pelo padre, e pior que ser incompreendido é ser confundido e usado, assim ele o foi por muitos, pelo padre (por motivos doutrinais), por um jornalista que “mancheteava” um novo Cristo, pelos adeptos do Candomblé em favor da causa contra o preconceito que sofriam, por um gigolô que queria sua mulher.
Zé do Burro não entendia sobre sincretismo religioso, não era herege, ativista social, nem queria ser um novo Cristo, apenas como um homem bom e ingênuo queria cumprir honrosamente a promessa que fizera, enfim ele é morto em frente à igreja; o motivo? Talvez tenha sido sua persistência e fidelidade àquilo que julgava ser correto e manter a custo de sua própria vida, a sua promessa. Pobres de nós mortais incompreendidos em nossas causas pessoais, profissionais e humanas, com valores por vezes inegociáveis e universais. Até que ponto teria eu e você a valentia, força e caráter em manter-se fiel àquilo que se acredita mesmo ao preço de uma reputação, de um cargo, de uma vida de conveniências, de comodismo? Talvez o preço da incompreensão dos homens seja alto, ou talvez porque sejamos medíocres demais.