A aflição de pais sobre a persistente falta de vacinas dos últimos meses deve acabar logo, segundo informações do Ministério da Saúde. Por meio de uma Nota Informativa, a Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações afirmou que, durante o mês de abril de 2016, a maior parte das vacinas que estavam em falta tiveram a sua situação regularizada. Entretanto, para representantes da Pastoral da Criança, o cenário ainda não é o ideal. “Depois do Ministério da Saúde finalizar a compra, existem as barreiras como a distribuição adequada e o transporte para que a vacina de fato chegue até os usuários, nas Unidade Básicas de Saúde. Isso pode levar meses. Além disso, persistem os problemas de oferta de vacinas específicas”, afirma o gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur.

Pastoral-Crianca1A Nota Informativa foi enviada ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) após o pedido de explicações sobre a falta de vacinas em todo o território nacional. Esta não é a primeira vez que a solicitação de informações sobre vacinas entra na pauta do CNS. O assunto, mais uma vez, foi levantado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocupa uma cadeira no Conselho, a pedido da Pastoral da Criança. Também não é a primeira nota lançada pelo Ministério no ano. Em janeiro de 2016, a Coordenação Geral já havia publicado um informativo sobre a situação das vacinas, soros e imunoglobinas no país.

Para Clóvis, as notas explicam a situação, mas o que a população espera são soluções para que o atual problema de falta de vacinas seja resolvido e crianças não sejam ainda mais prejudicadas. “Para a Pastoral da Criança interessa que a população receba todas as vacinas. Se o problema está nos fornecedores, é algo que governo e as empresas têm que resolver. Esperamos que hajam iniciativas para prevenir que situações como estas não se repitam. Afinal, se não há falta de recursos, como foi informado pelo Ministério da Saúde, a questão tem a ver com gestão e mercado”, diz.

Encaminhamentos

Da nota de janeiro para a de abril, é visível que houve mudanças. Das 10 vacinas listas, apenas a tetra-viral e varicela monovalente foram apontadas em esquema de susbtituição, e outra foi classificada como indisponível nacional e internacionalmente, a DTPa-CRIE, por conta da falta de fornecedores para atender a demanda brasileira. As imonoglubinas tiveram sua situação regularizada em fevereiro. Entretanto, dos três soros relatados nas notas, apenas o antibotulínico teve sua situação normalizada.

Em entrevista à Revista Pastoral da Criança no mês de abril, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, afirmou acreditar que as faltas seriam temporárias e que, aos poucos, as reposições seriam feitas. “Se tiver uma quebra por pouco tempo, pode não ter consequências. Mas se demorar demais, corremos o risco da volta de doenças já erradicadas”, alertou.

Com contato frequente com o Ministério da Saúde, e do apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), a Pastoral da Criança propõe estratégias de resolução do problema. A orientação da entidade aos seus voluntários para a falta de vacinas nas unidades de saúde, é para registrar nas Folhas de Acompanhamento das Ações Básicas (FABS). Dessa forma, a coordenação nacional da Pastoral da Criança pode acompanhar a situação real de cada comunidade onde está presente, além de ajudar, caso a comunidade necessite de mais orientações.

 

Situação dos imunobiológicos

Vacinas com a situação regularizada:
DTP;
Vacina contra raiva em cultura celular/VERO;
Vacina contra raiva em cultura celular/embrião de galinha;
Hepatite A rotina pediátrica;
Hepatite B;
Dupla adulto (dT);
Hepatite A – CRIE;
dTpa reforço adulto (gestante).

Vacina com esquema de substituição:
Tetraviral e varicela monovalente: a tetraviral foi enviada aos estados da região Norte, Sul e Centro-Oeste. Para o Nordeste e Sudeste, foi enviada a varicela monovalente para esquema alternativo de vacinação (tríplice viral + varicela monovalente).

Vacina em falta:
DTPa – CRIE: está em falta internacionalmente. No Brasil, desde abril de 2015, problemas de produção mundial e indisponibilidade de fornecedores que possam atender a demanda brasileira fazem a vacina estar em falta. Não há previsão de regularização. Esta vacina é disponibilizada para pessoas com doenças crônicas e imunidade deficiente.

Fonte:
Thaís Mocelin
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