A falta de partidos programáticos favorece o individualismo, a pequena democracia e estimula o voto mercenário

*Márlon Reis
Em evento realizado neste mês, numa universidade em Brasília, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, fez uso da expressão “partidos de mentirinha” para referir-se à notória debilidade dos partidos políticos brasileiros.
O Brasil realmente carece de uma experiência partidária efetiva. A agremiação política é escolhida não por razões programáticas, mas por cálculos pragmáticos que levam em conta quantos votos serão necessários para ganhar a eleição. As coligações, por decorrência, são muitas vezes engendradas à base de acordos financeiros que têm por objeto a ampliação do tempo de propaganda na televisão.
Um líder de bancada me disse certa vez, referindo-se à Câmara dos Deputados: “Somos aqui 513 partidos políticos”. Os eleitos possuem de fato bases eleitorais próprias, amealham pessoalmente suas verbas de campanha e concorrem com os próprios correligionários em busca do voto.
O sistema eleitoral e o modelo de financiamento de campanhas vigentes são os maiores culpados por isso. Pequeno número de empresas privadas domina o cenário das doações de campanha e os candidatos competem mais por seu apoio que propriamente pelo voto.
Nenhuma democracia se consolida sem uma clara definição entre os seus partidos.
Precisamos de partidos de verdade. A falta de partidos verdadeiramente programáticos favorece o individualismo, apequena a democracia e estimula o voto mercenário.
Para combater de modo mais eficiente a corrupção política precisamos de um sistema que enfatize os partidos e sufoque o personalismo que está na base das relações clientelistas.
* Juiz de Direito no Maranhão