Na coluna deste mês haverá uma quebra na sequência de tiras, pois uma homenagem deve ser dada pelo falecimento de um dos nomes mais importantes dos quadrinhos nacionais do último quarto do século XX. Morte confirmada no dia 24/09 pouco antes do fechamento desta coluna.

Otacílio D’Assunção Barros, mais conhecido como Ota, foi editor, artista, pesquisador e escritor carioca. Com atuação na maioria das grandes casas publicadoras de quadrinhos brasileiras, seu nome sempre estará associado à editoria da versão nacional da revista Mad; no entanto o trabalho de Ota foi muito além disso.

Profundo conhecedor, foi responsável em tempos de pouca diversidade de quadrinhos no Brasil pela introdução de material estrangeiro de qualidade. Nos anos 1990 foi um dos pioneiros na veiculação de quadrinhos pela internet. Como editor valorizou a profissionalização da classe de quadrinhos e imprensa no Brasil, desde a contratação, pagamento pelas colaborações, suporte a conteúdos e pesquisas, além da curadoria de publicações.

De gênio forte e muitas vezes gratuitamente agressivo, mesmo coroado de méritos, o artista sofria de descontrole de sua vida devido ao alcoolismo e abuso de entorpecentes, o que agravou seu estado de saúde, e culminou em sua morte. Seu corpo foi encontrado no apartamento em que morava, três dias após o último contato relatado por amigos. Seu legado foi o de valorização dos quadrinhos como mídia e dos artistas como profissionais.