A história recente, atual e as perspectivas futuras apontam para mudanças radicais no mundo e na sociedade que hoje conhecemos; vivenciamos um momento de transição iniciado há alguns anos e que ainda se perpetuará mais alguns anos até a constituição de outro tipo de organização social no planeta. Avançamos de forma nunca imaginada na questão científica e tecnológica, contudo as questões culturais, sociais, morais e de relação com a natureza regrediram de forma alarmante, esse processo é continuo e atrelado à falsa crença no crescimento econômico ilimitado.
Início, apogeu e declínio de sociedades e de sua visão de mundo são recorrentes e naturais na história da humanidade. As crises, embora, muitas vezes traumáticas: são oportunidades únicas.
Exemplos desse momento de transição do atual modelo são: o fim da sociedade patriarcal com a ascensão do feminismo; inadequação das atuais relações de trabalho; o esgotamento do modelo predatório de desenvolvimento baseado na degradação ambiental, sobretudo, o uso de combustíveis fósseis, demandando um novo modelo econômico sustentável; crise do atual modelo democrático de representatividade; mudança de paradigmas que moldam a visão de mundo das pessoas; e a iminência de uma verdadeira revolução cultural, social e científica.
O momento de transição que passamos é retratado por Fritjof Capra: “Transformações culturais dessa magnitude e profundidade não podem ser evitadas. Não devem ser detidas mas, pelo contrário, bem recebidas, pois são a única saída para que se evitem a angústia, o colapso, e a mumificação. Necessitamos, a fim de nos prepararmos para a grande transição em que estamos prestes a ingressar de um profundo reexame das principais premissas e valores de nossa cultura, de uma rejeição daqueles modelos conceituais que duraram mais do que sua utilidade justificava e de um novo reconhecimento de algum dos valores descartados em períodos anteriores de nossa história cultural. Uma tão profunda e completa mudança na mentalidade da cultura ocidental deve ser naturalmente acompanhada de uma igualmente profunda alteração das relações sociais e formas de organização social – transformações que vão muito além das medidas superficiais de reajustamento econômico e político que estão sendo consideradas pelos líderes políticos de hoje”.
A realidade é complexa, interligada e interdependente; a visão especialista, reduzida a partes e mecanicista está obsoleta e não dá conta de explicar os fenômenos sociais e naturais; disso amadurecerá uma perspectiva globalizante e ecológica no sentido de harmonioso e sistemático como a natureza.
Novamente Fritjof Capra aborda o tema brilhantemente: “Acredito que a visão de mundo sugerida pela física moderna seja incompatível com a nossa sociedade atual, a qual não reflete o harmonioso estado de inter-relacionamento que observamos na natureza. Para se alcançar tal estado de equilíbrio dinâmico será necessária uma estrutura social e econômica radicalmente diferente: uma revolução cultural na verdadeira acepção da palavra. A sobrevivência de toda a nossa civilização pode depender de sermos ou não capazes de realizar tal mudança”.
Para enfrentarmos esse por vir com o mínimo de traumas possível é preciso ver a realidade como um processo de contínuo fluxo e mudança, os fenômenos são interligados, dinâmicos e cíclicos, assim como o universo. Os velhos valores e conceitos até então majoritários passam e desaparecem; novos valores e conceitos antes minoritários vêm e substituem aqueles.
Muitos desprezam a política, não deveriam fazê-lo, pois enquanto as pessoas de bem e com uma visão humana não participam, outros menos capacitados ou mal intencionados participam e trazem consequências terríveis para toda a sociedade, o desprezo deve ser por nossa atual classe política. Considero a política como “atividade humana central, o meio através do qual a consciência individual é colocada em contato como o mundo social e material, em todas as suas formas.” (Eric Hobsbawm).
A política é instrumento e faz parte dessas mudanças, vamos levar o Brasil para a vanguarda dessas transformações com uma visão de mundo em que o ser humano, integrado com a natureza e o respeito sejam o caminho e não o lucro a qualquer preço, a produção em massa e a padronização. Dessa forma a política é imprescindível para a transição na busca de um Mundo melhor. Todos têm sua parcela nessa mudança, faça sua parte.

* Eduardo Reiner é auditor fiscal do trabalho, bacharel em Direito pela UFPR, pós-graduado em Direito Constitucional pela Unisul, pós-graduado em Direito do Trabalho pela Anhanguera e chefe do Setor de Saúde e Segurança do Trabalhador da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE).