– Pedro da Costa – Todos nós gostaríamos de saber se é possível tornarmo-nos totalmente novos, rejuvenescer, não no corpo, porém na mente e no coração. É nos possível renascer – não recomeçar a vida como jovens adolescentes, porem ver a vida, com todas as suas complexidades, suas dores e sofrimentos, suas ansiedades e temores, como se pela primeira vez a estivéssemos vendo e, assim fazendo, transformá-la em vez de continuarmos a transportar esta pesada carga, de ano em ano, até a morte? Temos alguma possibilidade de renovar a mente e o coração, de modo que possamos olhar a vida de maneira inteiramente nova? Desejo neste texto considerar este problema e tentar descobrir se nos é possível fazer alguma coisa neste sentido. Para termos uma mente nova, lúcida, livre de toda confusão, não contaminada pela aflição, pelos problemas e todos os tormentos a que estamos sujeitos; termos um coração que  desconheça o ciúme, coração cheio de afeição e de amor, por conseguinte, renascermos totalmente, cada dia.

Existe algum método, alguma ação decisiva – positiva ou negativa – capaz de criar esse novo estado? A maioria de nós deve fazer esta pergunta, se não deliberadamente, pelo menos misticamente. Ao fazermos a nós mesmos tal pergunta, falta-nos a energia, a força e a vitalidade necessárias para passarmos além e descobrirmos, por nós mesmos, aquele estado, ou fazermos a pergunta superficialmente, indiferentemente, por mera curiosidade. É bem evidente a necessidade de uma mudança exterior, de uma reforma econômica e social, a fim de que possa promover-se a unidade humana, quer o indivíduo seja moreno, preto, branco, quer seja russo, comunista, socialista, católico, etc. É necessário que todos cooperemos, a fim de nos livrarmos do horrível estado de coisas ora vigente, livrar-nos de todas as diferenças existentes – raciais, comunitárias, políticas, nacionais, etc.