Jornalista Humberto Schvabe

  

Depois de enfiar o Umbará no fim do mundo, ao participar de um encontro na Igreja Católica do Bairro, o articulista Rodrigo Wolff Apolloni, da Gazeta do Povo, sai mais uma vez de seu confortável “ninho” para atacar, agora, o bairro do Capão Raso e fazer o que muitos de nós que moramos na periferia ainda chamamos de “xacota”.
Será ele um intelectual, ou pseudo… que fala tanto de livros, cultura, mas não conhece a cidade onde mora? (Se é que mora em Curitiba). Quem não conhece o Capão Raso, não conhece Curitiba. E o pior, se arvora a falar sobre nossa cidade, tripudiando nossa gente. De onde veio este “intelectual” que agora começa a se perder pela “periferia” da metrópole, colocando nossos bairros no “fim do mundo”?
Seu comentário desta vez foi sobre um desconhecido sebo do Capão Raso, quando procurava por uma obra sobre grafite. Sem acreditar na possibilidade de encontrar o livro, pesquisou e encontrou um sebo com a obra no bairro.
Ligou e foi atendido por “uma voz antiga” (quanta poesia) do desconhecido sebo. Entra em seu carro e temos mais um “perdido em Curitiba” que pegou o carro e foi ao encontro do desconhecido; agora no Capão Raso. E dê-lhe poesia, ao falar sobre o sombrio imóvel “tábua e ripa”, óculos verde garrafa e banguela de quase todos os lambrequins (bonita frase). Citando ainda o filme Colheita Maldita (coisa de intelectual), ele toca a campainha, e nova provocação: “fui atendido por um velho com cara de louva-a-deus. Cara de papiro. Assustador” e tenta salvar-se ressaltando ser o mesmo, em uma primeira análise, boa gente.
Aí, o susto. Num velho galpão encontrou uma das melhores bibliotecas que já viu. Nova provocação ao cutucar o “velho, que não tinha pudor de se livrar dos livros em troca de alguns cobres”.
Ao final deixa um rápido elogio: “o livreiro era um verdadeiro gourmet, capaz de discorrer, com a mesma graça, sobre Nietzsche e Harold Robbins”. E, sutil como Nietzsche, no trânsito acaba se perdendo novamente, na volta para sua toca.
É uma pena que pessoas que demonstram dominar tão bem o conhecimento literário, se perdem em caminhos tão fáceis como um trajeto até o bairro do Capão Raso. E, em especial, na falta de respeito para com estes locais e sua gente.