Enquanto algo é meu, não pode triunfar o Eu. Meus são bens de fortuna, meus são amores de homem ou de mulher, meus são filhos, parentes, amigos, meu é o prestígio social de que gozo, meus são o corpo e o intelecto. Nada disto, porém, sou Eu. Eu sou o sujeito central, meus são os objetos periféricos. Esses objetos são velhos companheiros meus, crudelíssimos tiranos, desde o meu nascimento, poucos decênios atrás. Esses objetos são velhos companheiros, onipotentes ditadores do gênero humano, há muitos séculos e milênios.
Haverá esperança de que eu possa realizar a minha libertação?
Que eu possa viver aqui na Terra, sem escravizantes? Sem esses queridos “meus”? sem esses idolatrados fetiches? Não, ninguém pode desfazer-se desses ídolos e continuar a viver.
Já compreendi que iniciação não é algo que eu possa adicionar a minha vida horizontal, como um belo enfeite, como um colar de pérolas. Compreendi que iniciação é algo inédito e inaudito, a morte total desta vida até agora vivida…
Iniciação não é continuação de algo preexistente não! É o fim de tudo que foi e é o início de tudo que deve ser….
Iniciação de algo virgem, um novo fiat-lux criador. Não é remendo novo em roupa velha, não é vinho recente em odres gastos, não!!!
Iniciação é morte total do “homem velho” é ressurreição integral do “homem novo”.
Nem um átomo da bagagem do Ego passa para além da fronteira. Porque o Ego só conhece o que é “dele” e ignora o que é “ele”. O meu verdadeiro Eu não sabe desse mundo dos meus, desses pequenos e grandes nadas que parecem ser algo.
Iniciação é verdade suprema incompatível com a menor das ilusões.
Ergue-te, pois, sobre asas levíssimas, meu Grande Eu Divino, meu átomo crítico! E lá das excelsas alturas dominarás todos os “meus”, sem seres por eles dominado.

Pedro da Costa é Quiropata e Livre-Pensador