Em uma pequena área do terreno onde está localizada a unidade de acolhimento Bairro Novo, que acolhe pessoas em situação de rua, no Sítio Cercado, o colorido das verduras e temperos chama a atenção. Na terra fértil crescem pés de milho e mandioca, além beterraba, quiabo, repolho roxo, radite, alfaces e escarola.
A horta, que vem sendo cultivada desde 2018, é uma iniciativa dos educadores sociais da Fundação de Ação Social (FAS), Zenovio Liczko, mais conhecido como Zeno, e Robson Inocêncio Eduardo, que trabalham na unidade e envolve alguns dos acolhidos que se dedicam na limpeza dos canteiros, adubação da terra e do plantio.
A horta ganhou novas sementes e mudas em setembro de 2020 e já garantiu muitos alimentos para as refeições dos acolhidos, que são pessoas convalescentes, com idade acima de 39 anos e idosas.
Proprietário de uma chácara, Zeno conta que gosta de plantar. Experiente na lida com a terra ele incentiva os acolhidos a cuidar da horta. “Poucos são frequentes, mas sempre tem gente querendo ajudar a capinar, adubar e plantar”, conta.

Integração e autoestima
Kassandra Hoffmann, coordenadora da UAI Bairro Novo, explica que a horta já existia na unidade, mas foi incrementada em setembro de 2020, por causa da pandemia da covid-19. “Precisávamos buscar alternativas de atividades internas que não transgredissem as medidas de prevenção. A horta foi escolhida por ser uma atividade ao ar livre e que pode ser feita em pequenos grupos.”
A coordenadora conta que o objetivo inicial era promover a integração e a socialização, mas a atividade também trouxe benefícios para a saúde física e mental dos acolhidos. “Muitos dos nossos idosos trabalharam no campo quando eram jovens e aqui, ao dividirem suas experiências e vivências, eles se sentiram valorizados, o que melhora a autoestima”, diz.