O sol brilhava lá fora, o dia estava lindo. Pena que não era feriado, enquanto uns trabalhavam, outros, em seu intervalo do serviço passavam por situações constrangedoras. Melhor dizer por apuro mesmo.
Estava tranquila em meu local de trabalho, quando recebo um telefonema. Como de hábito a pessoa mais uma vez veio reclamar do seu fiel amigo cão.
– Não quero mais saber deste Marujo, vive me aprontando!
Continuava desabafando quase em pânico.
– Desta vez ele passou dos limites.
Eu para acalmá-la tentei uma frase de efeito: “Apesar das intempéries, sempre é possível melhorar mesmo quando suas esperanças se vão”.
Ela NÃO quis me ouvir. Fiquei na minha, pois já estou habituada aos protestos dela contra seu destrambelhado cão, que desde a sua chegada” sem ser convidado” há cinco anos vive em sua companhia. Acontece que ela não abre mão dele, pois gosta de animais e a casa continua sempre ladeada com seus cães e gatos, mas a reclamadinha básica também faz parte de sua rotina.
Mas desta vez, tive de concordar; realmente o Marujo passou dos limites. Pois bem, ele escapou e foi para a rua atacar um cãozinho de madame, bem menor que ele.
Lógico que sua dona saiu desesperada tentando separá-los, mas Marujo é muito grande e era quase impossível dominá-lo.
Sua dona chegou desesperada, passou uma das pernas por cima dele, na intenção de segurá-lo, agarrou a coleira, mas, infelizmente, não deu certo.
Marujo saiu com ela montada a cavalo em pêlo, pela rua numa desenfreada corrida.
Da janela, seu vizinho solidário presenciou toda a cena e partiu em seu socorro.
Apavorado pegou um balde, saiu correndo e o alcançou, num gesto de desespero, enfiou o balde na cabeça do cão que acabou dominando.
E assim ela viveu uma das cenas mais cômicas de sua vida, salva pelo vizinho, testemunha ocular.

Neide Seco