Helder Caldeira
Nunca antes na história deste país a fornicação com o dinheiro público esteve tão em alta. Sem tradição de seriedade, caráter e dignidade, o Brasil chegou ao século XXI com a mesma envergadura macunaímica, como escreveu o célebre Mário de Andrade em 1928. Vamos carnavalizar nossas mazelas! Vamos futebolizar nossas tragédias! Vamos romancear nossas inquietudes com a nação em frangalhos!
Enquanto isso, a baderna continua… Vivemos num país de mentira(s). Somos todos passivos hipócritas! Somos todos miseráveis!
Observemos a fuzarca… O governo federal consome bilhões de Reais para, supostamente, construir uma ferrovia que possa escoar a produção brasileira e, 26 anos depois, a obra continua gerando custos milionários e ainda não está pronta e cheia de erros de cálculo e falhas de projeto. Mas o dinheiro público continua sumindo nos trilhos. E o povão, sem trem, aplaude!
O governo gasta rios de dinheiro para, supostamente, tentar executar a transposição do São Francisco e, uma década depois, os cofres públicos continuam jorrando sem cessar, ainda que as obras estejam quase integralmente paradas ou abandonadas. O sertanejo famélico vai continuar com sede e os larápios palacianos dão gargalhadas, debocham. E o povão, sem água, aplaude!
O governo promete construir milhões de casas populares e investe centenas de bilhões e quem realmente precisa continua sem habitação; a indústria da propaganda eleitoral segue alardeando sucessos e os empreiteiros espertinhos, depois de uma noite de sexo com alguém dos ministérios nas mansões de Brasília juntam mais grana pública. E o povão, sem-teto, aplaude!
Nosso adorável governo já enterrou quase R$ 1 trilhão para bancar a realização da Copa do Mundo 2014, (e dinheiro foi desviado!). A pré-venda dos ingressos entre R$ 1 mil e R$ 9 mil. Para os jogos da Seleção Brasileira na 1ª Fase, paga-se a bagatela de R$ 5 mil. E o povão, paupérrimo, aplaude!
Renan, outrora demonizado, vai indicar dois ministros para o Tribunal de Contas da União; Lula da Silva vai virar colunista do The New York Times; o julgamento do Mensalão pode ir por água abaixo e ninguém amargar o xilindró que, na melhor expressão popular, o Brasil está “funicado”… e fanicado! P.S.:
Quem não entendeu, não precisa aplaudir.

Helder Caldeira é escritor, Jornalista Político e Apresentador de TV
www.heldercaldeira.com.br – helder@heldercaldeira.com.br
Autor dos livros “ÁGUAS TURVAS” e “A 1ª PRESIDENTA”