Alexandre era um homem muito inteligente, foi discípulo do grande lógico e filósofo Aristóteles, seu tutor particular.
Morreu antes de chegar à Capital. Antes de sua morte, disse ao seu comandante: -Esse é o meu último desejo, e tem de ser cumprido.
Qual foi seu último desejo? Um desejo muito estranho. O desejo era o seguinte:
-Quando carregarem meu caixão para o túmulo, vocês devem manter as minhas mãos penduradas para fora do caixão, explicou Alexandre.
-Que espécie de desejo é esse? perguntou o comandante. As mãos são sempre mantidas dentro do caixão, ninguém nunca ouviu falar de um caixão sendo carregado até o túmulo com as mãos dependuradas para fora!
-Não tenho muito folego para explicar a você, mas, em suma, quero mostrar ao mundo que estou indo com as mãos vazias. Achei que estava ficando cada vez maior, cada vez mais rico, mas na verdade, eu estava me tornando cada vez mais pobre. Quando nasci, vim ao mundo com ou punhos cerrados, como se tivesse segurando algo nas mãos. Agora, no momento da morte, não posso ir com meus punhos fechados – esclareceu Alexandre.
Manter os punhos fechados exige vida, um tanto de energia, nenhum homem morto é capaz de manter as mãos fechadas. Quem irá fechá-las? Um homem morto não está mais presente, toda a energia se foi, e as mãos se abrem por conta própria.
-Deixem que todo mundo saiba que Alexandre, o Grande, está morrendo com suas mãos vazias, como um simples mendigo.
E, pelo que vemos, ninguém aprendeu nada com essas mãos vazias, pois as pessoas depois de Alexandre continuam a fazer o mesmo de forma diferente.
Propinas… propinas… propinas.

“ A Paz tem de Dançar, o Silêncio tem de Cantar”

Pedro da Costa é Quiropata e Livre-Pensador