Jornalista Humberto Schvabe

Como acredito piamente que a sociedade tem como base a família, entendo a sociedade como uma grande família. Não sei se, isto é, por minha formação cristã, se por minha visão humanitária.  …ou, porque sou “bobo” em ficar “pensando nos outros”. Defendo que uma sociedade só pode se desenvolver a contento quando “os do poder” entenderem que esta riqueza existe para todos, mas em níveis aceitáveis. Uns mais ricos que outros sim, mas longe da miséria, distante deste mundo marginal, sem teto, sem leito, sem leite. Sem irmãos esfomeados e desabrigados, sem acesso às oportunidades de uma vida que lhes permita decidir o que fazer e por onde encaminhar seu destino.

Por mais estranho que possa parecer a postura de uma família direitista é mais democrática que a família esquerdista. A da esquerda seria comandada por um pai dominador, decidindo o “caminho” e como vai viver cada filho. A outra “encaminha” seus filhos para as melhores escolas e os orienta com a tranquilidade e o tempo necessário para que cada um conquiste o melhor para si.

Como uma crítica a estas posturas ideológicas e não uma análise do pensamento das mesmas, deixo de comentar aspectos positivos existentes em ambas. São princípios que acabam sendo suplantados pelo predomínio da tentativa de impor vontades ao invés de somar e alinhar ideias visando o bem comum.

Na verdade, a gente pode chamar de preconceito entre duas maneiras de pensar que acabam se digladiando na disputa pelo poder. Depois, retomam o ritmo de sempre, com as negociações para manter os cargos e todas as demais benesses do poder. Cada um em sua sombra.

Resumindo, as lideranças da esquerda defendem “direitos” sociais sem partilhar seus benefícios. Corrompidos viajam em jatinhos particulares e, quando possível, nos oficiais, vivendo no mesmo mundo de luxo onde residem os líderes da direita. Está também defendendo o “direito” à propriedade conquistada com trabalho digno (merecida), ao lado da partilha corrupta e da conquistada à bala.

Os que se dizem de esquerda, em geral na condição de bem formados intelectualmente e vivendo à sombra do poder, gritam jargões pregando que o governo precisa tomar conta do cidadão comum. Uma atitude, mais que paternalista, chegando a se maternal.  Egoísta, quer se manter sob o manto do estado e ali decidir o que é melhor para os “companheiros” sob sua tutela… e os outros, estes “capitalistas” …

Quem se coloca como direita, na condição de estar numa situação estável (em geral por ter nascido assim), ou também vivendo à sombra do poder, vem com a defesa de “cada um cuida de si”, ficando tudo na mão dos mais espertos, dos mais competentes, dos mais trabalhadores, dos mais fortes, dos dominadores… e os outros, estes “comunistas”…

O mundo onde uns tem tudo e outros nada, é um mundo injusto.

Você acha isto normal?

Então responda: quando um filho vai mal na escola, ou em alguma matéria, você acha “normal” ou vai em busca de aulas de recuperação ou mesmo de uma nova escola, onde ele possa retomar o caminho do conhecimento?