Entendendo o Abstrato

Pedro da Costa

Misericárdio

Ser Grande! Quem não desejaria ter uma vida cheia de verdadeira grandeza e abundância de tudo que faz a vida próspera e digna de ser vivida? Próspero na saúde, no conhecimento, no poder, na propriedade, no amor, na alegria?
Pois tudo é possível a qualquer pessoa, ao homem e a mulher, ao pobre e ao rico, ao sábio e ao ignorante, ao poderoso e ao humilde – Todos podem ser grandes.
Essa verdadeira grandeza e felicidade não dependem de circunstâncias externas; não pode ser frustrada pelas adversidades da natureza nem pela perversidade dos homens – Depende, em última análise de cada um de nós.
No momento, porém, em que o homem transpõe essa misteriosa fronteira da experiência pessoal, do querer ser servido para o querer servir, está solucionado o problema central da sua vida.
Todo homem que se esquece da sua felicidade pessoal, a fim de tornar felizes os outros, se tornar verdadeiramente feliz.
Como se explica esse fato?
Essa integração parece a princípio, uma renúncia à própria felicidade, e é por isto que poucos realizam essa integração ou solidariedade. Mas depois de realizada a integração pelo amor ou solidariedade universal, a felicidade vem infalivelmente aos que só procuram a felicidade dos outros.
Querer servir – É este o segredo da força, grandeza e felicidade.
Jesus pode fazer o bem que eu faço – Mas Deus não pode ser bom em meu lugar. Muito mais importante do que fazer o bem é ser bom.
O veículo “manifestativo” do amor é a caridade. Pode haver caridade sem amor, mas não pode haver amor sem caridade. Pelo fato de eu fazer caridade a alguém, desperto em mim o amor, que estava dormente, ou semi-dormente. E, como toda a potência, cresce com sua atualização, o meu amor e a minha caridade.
As durezas de uma ética sincera e desinteressada são um profilático infalível contra as bactérias do misticismo sentimental.