Se houvesse entre nós mais amor, não haveria necessidade da caridade, porque a caridade é filha da miséria, mas a miséria é filha da nossa falta de amor. O egoísmo humano, que é falta de amor, cria a miséria, a indigência, a pobreza, a fome, a desnudez e, em face dessa numerosa prole gerada por nosso desamor, faz-se mister a caridade. A caridade não remedia os males da sociedade, apenas os atenua temporária ou parcialmente; é uma espécie de injeção, de anestésico, de soporífero, de pomada ou cataplasma que o homem egoísta que desejaria ser altruísta aplica às dolorosas chagas abertas pelo egoísmo e desamor dos homens. Se não houvesse exploradores, não haverá explorados, não haverá miséria – e não haveria miséria – e não haveria ambiente propício para exercer a caridade – a não ser em casos excepcionais, catástrofes inesperadas, terremotos, incêndios, enchentes e outros fenômenos não dependentes da maldade dos homens; nessas ocasiões excepcionais seria necessária a caridade, mesmo entre homens cristificados pelo amor; mas a caridade não seria uma necessidade normal, permanente, da nossa sociedade.
“Pobres, sempre os tereis convosco; a mim, porém, nem sempre me tereis”.
A abolição radical e definitiva da miséria está na proclamação e vivência do amor.

Pedro da Costa é quiropata e livre pensador