Luciano Ducci

  

No panorama das cidades brasileiras, Curitiba prepara a grande mudança de escala que poderá, no curto espaço de alguns anos, nos colocar num patamar de modernidade e qualidade de vida inédito em nossa história.
Quem olha por hoje, prepara o futuro. É o que Curitiba está fazendo, um dia depois do outro. Para enxergar essa grande equação articulada em torno dos sonhos e aspirações da nossa gente, é preciso olhar para os indicadores, vida traduzida em números, que nos dizem quais são os nossos desafios e o quanto podemos avançar..
Nos 319 anos da nossa cidade, somos quase 1 milhão e 800 mil curitibanos e estamos muito ocupados. A menor taxa de desemprego do Brasil, grande alavanca do nosso crescimento, é um indicador indispensável. A cidade vive um ciclo de pleno emprego, quando a taxa de desemprego é inferior a 4%. Isso significa dizer que 96% das pessoas economicamente ativas estão trabalhando. E trabalho produz riqueza, gera consumo e recolhe impostos que se convertem em infraestrutura e serviços para o cidadão, especialmente o trabalhador e sua família. É um círculo virtuoso.
Ao prefeito e sua equipe cabe, entre tantas tarefas, a de identificar oportunidades de estímulo ao crescimento da cidade. É por isso que temos o ISS tecnológico, isenções para aberturas de microempresas, formação de empreendedores, programa de competividade para atrair grandes empresas e o Tecnoparque, que incentiva o desenvolvimento de companhias de base tecnológica. E agora estamos com um programa inédito, a Operação Consorciada para atrair mais investimentos e criar uma nova fronteira de desenvolvimento para os bairros vizinhos à Linha Verde.
Viva, disposta a falar de problemas e participar das possíveis soluções, Curitiba dá mostras continuadas da sua capacidade de se renovar de forma permanente, mesmo em áreas em que é referência mundial.
Nosso sistema de transporte passa por modificações, todas necessárias. A cidade caminha para o metrô, projeto que vai despejar mais de R$ 2 bilhões em investimentos diretos na cidade e gerar milhares de empregos a partir de um eixo no qual circulam, a cada dia, mais de 300 mil curitibanos. Avançamos modernizando nosso conceituado ônibus, que continua recebendo inovações, como o Ligeirão, o biocombustível e o hibribus, um ônibus elétrico e a biocombustível.
Recebemos na Suécia o prêmio de Cidade Mais Sustentável do Mundo em 2010. Ficamos em primeiro lugar no ranking das Cidades Verdes da América Latina há pouco mais de um ano. E a área verde da cidade aumentou em dez anos, passando de 51,5 metros quadrados por pessoa para 64,5 metros quadrados. E, com a crebilidade de quem já retirou mais de 3 mil famílias das beiras de rios para dar a cada uma delas moradia digna, estamos trabalhando para zerar o déficit de reassentamento.
O segredo de uma boa administração é saber olhar para todos os espaços de vida humana na cidade. É por essa razão que Curitiba se revelou a capital brasileira com maior redução da pobreza. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas mostrou que Curitiba reduziu a pobreza em 65,3% de 2003 a 2009. O Brasil a reduziu em 45,5% nesse período. Ainda há 67 mil curitibanos em situação de pobreza, em que a renda é de até R$ 151 por pessoa. A grande conclusão que nos deixa o estudo da FGV é a possibilidade real de a desigualdade ser eliminada no horizonte de alguns poucos anos. É preciso trabalhar nisso e a Fundação de Ação Social está à frente desta importante missão.
Enquanto isso, a cidade ganha 1.150 novos carros por semana. Além de melhorar o transporte coletivo, investimos muito em obras viárias, com novas trincheiras, novos eixos viários, renovação urbana de ruas e avenidas, programa de asfalto novo em todos os bairros, tecnologia para gestão do trânsito, implantação de ciclofaixas e reforma de ciclovias, além das obras de mobilidade da Copa do Mundo.
Mas falar de cidade é falar de pessoas, suas necessidades e sonhos, o que basta para o dia e o que importa para uma vida inteira, como saúde e educação.
Curitiba tem a melhor saúde pública do Brasil entre cidades com mais de 1 milhão de habitantes, atesta o Ministério da Saúde em 2012. Mas é preciso e possível melhorar. E vamos melhorar. Temos também a menor taxa de mortalidade infantil, graças, em grande parte, ao programa Mãe Curitibana. Hoje, a cidade, que se revela a cada geração mais madura, ganha o Hospital do Idoso Zilda Arns, que já nasce, moderno e bem equipado, como referência no País.
No outro extremo, a preocupação deve se dar com o que realmente pode mudar uma cidade. A educação forma, prepara e liberta. Por isso, cuidamos do futuro de nossas crianças, oferecendo a rede de ensino com o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, atestado pelo Ministério da Educação, por três vezes consecutivas e caminhamos para a universalização da educação infantil.
Em mais de 50 audiências públicas com a população no ano passado, confirmamos que Curitiba continua fazendo uma opção clara pela busca de soluções inovadoras e financeiramente viáveis. E, neste aniversário, a cidade reafirma a sua convicção de que o diálogo que enseja o planejamento urbano de qualidade, que altera para melhor o cotidiano, é a ferramenta essencial para garantir o processo contínuo de melhoria da vida da nossa gente, que ama e constroi esta cidade a cada dia.
Luciano Ducci é medico e prefeito de Curitiba