Muitos me perguntam: -como posso achar a Deus? Respondo a todos eles: -Meu amigo, tu não podes achar a Deus, mas Deus pode achar a ti – contanto que sejas achável. Faze-te pois achável e Deus te achará.
Se dentro de ti criares a atmosfera favorável, uma atitude de permanente receptividade espiritual, um clima propício de “pobreza de espírito” e “pobreza de coração”, é certo que será achado por Deus, e é então que achaste a Deus.
Prepara dentro de ti os caminhos por onde Deus possa vir a ti – e a ti virá Deus e em ti fará sua habitação.
Essa atmosfera teotrópica dentro de ti consiste essencialmente numa progressiva abolição do egoismo, em todas as suas formas – egoismo individual, nacional e eclisiástico – e numa crescente proclamação do Amor Universal, “se o grão de trigo não morrer, ficará estéril, mas se morrer, produzirá muitos frutos. Se não romperes a estreita casquinha do teu ego individual, nunca prestará coisa grande para a humanidade, nem para ti mesmo, mas, se deres esse “salto mortal” do teu estreito egoismo individual para o vastíssimo cosmos do altruismo universal, verificarás com jubilosa surpresa que era um salto vital, um salto para dentro de um mundo cheio de vida, alegria, beleza e felicidade.
Você é filho de Deus. Já lhe foram concedidos todos os poderes. Mas não é o seu corpo que é filho de Deus. Não é nesse corpo que se encontram todos os poderes. É na Divindade alojada no seu íntimo que você já possui todos os poderes. Ela é a força infinita oculta.
Deve antes de tudo perceber isto, pois ao percebê-lo inicia-se o seu desocultamento. Se perceber e somente olhar ela não se tornará realmente coisa sua. Deve agarrá-la inteiramente. Não é agarrar com as mãos. É desprender-se de si mesmo e submergir no interior de Deus, é a passividade perfeita. Não é entregar-se por ociosidade, mas sim por confiança.


Pedro da Costa é Quiropata e Livre-Pensador