No começo dos anos de 1950 a distribuidora King Features quis aumentar seu catálogo de tiras de faroeste no estilo clássico. Ao encomendar um personagem baseado em um conto sobre o Velho Oeste ao autodidata desenhista argentino José Luís Salinas, surgiu Cisco Kid nos jornais americanos em janeiro de 1951.

O Cisco original do conto e que rendeu filmes era um caubói americano que estava longe de ser um herói; já o Cisco dos jornais foi um justiceiro mexicano, galante, coberto por seu sombreiro, e que combatia o crime e abuso das autoridades durante a virada do século XX no estado do Novo México. Seus coadjuvantes deram valor à obra, como o parceiro caricato Pancho, a sufragista Lucy, e o vilão Juiz Hook. Mesmo com roteiros clichês e simples de Rod Reed, Cisco Kid é uma das principais realizações de faroeste nos quadrinhos exatamente pelo brilho que o artista deu à obra. Seu pleno domínio do preto e branco empregou realismo à tira, surpreendentemente não houve produção de pranchas dominicais coloridas.

O trabalho entre roteirista e desenhista era realizado via telefonemas e correspondências, pois Salinas firmou em seu contrato que trabalhasse em seu país. Foi o cartunista mais bem pago da Argentina, seus desenhos eram excelentes e dinâmicos. Apesar do mérito artístico, a tira não foi eficiente em eternizar o personagem, o que determinou seu cancelamento em 1968. Como no cinema, o faroeste perdia apelo junto ao público.