Caridade – Pedro da Costa

Há quem faça caridade a seus semelhantes por simples motivo de simpatia emocional, porque lhe repugna ver sofrer algum ser vivo. Esta filantropia é certamente recomendável – mas não é suficiente.
Outros acham que é inútil ocuparmo-nos com as misérias alheias, uma vez que, por via de regra, o sofrimento humano é o sofrimento-débito, cada um sofre as conseqüências dos seus erros cometidos, nesta ou em existências anteriores, e é justo que ele pague os débitos, que se liberte do seu “karma negativo”, se não o fizer agora, terá de o fazer mais tarde.
Nem esta nem aquela atitude faz pleno jus à passagem em apreço. O principal da caridade não é socorrer ao sofredor, ao necessitado, ao doente. Deus poderia, num só instante, acabar com todas as misérias e sofrimentos da humanidade, mesmo sem a nossa intervenção. Porque não o faz? E, se ele não o faz, porque devemos nós fazê-lo?
Mas é que existe, para além de todas as caridades éticas, um grande mistério metafísico e místico…
O principal beneficiado de nossa caridade não é aquele que recebe, mas sim, aquele que dá o benefício – “há mais felicidade em dar do que em receber”. O sujeito ou autor do benefício é mil vezes mais favorecido do que o objeto do beneficiado.

Deus Poderá Fazer O Bem Que Eu Faço
Mas Deus Não Pode Ser Bom Em Meu Lugar.
Muito Mais Importante Do Que Fazer O Bem,
É Ser Bom.
Ser Bom Fazendo O Bem.