Parece que foi ontem…fomos a igreja dar os nomes para “nos casarmos”. O padre perguntou se era a favor ou contra o divórcio, pois era um assunto muito comentado na época, fazia pouco tempo da aprovação da nova Lei.
Humberto, sempre muito autêntico, respondeu na “tampa: a favor (e, como não poderia deixar de ser, completou com algo mais ou menos assim), pois uma relação quando não dá certo tem mais é que cada um seguir o seu rumo em busca da felicidade.
O padre por sua vez, vindo de outra “escola”, foi “curto e grosso”:

  • Eu não caso quem defende o divórcio. Procurem outra igreja. Aqui eu não caso vocês.
    Para mim foi um baque, naquele momento vi meu vestido de noiva indo “pro ralo”.
    Seguindo a sugestão do próprio padre, fomos de imediato para a igreja mais próxima. Pra minha felicidade fomos para a maravilhosa Santa Terezinha no Batel. Pedi ao Humberto que não emitisse sua opinião ao outro padre; ele, teimava; não vou mentir, então responda você quando ele perguntar.
    Mas não foi preciso, o padre não perguntou.
    E no dia 19 de julho de 1979, meu irmão Augustinho me conduzia até o altar para este passo importante de minha vida.
    Um dia frio de julho, eu me preparando em casa não sabia se estava tremendo de frio ou de nervosa ao ver meu sogro estacionar para me conduzir até a igreja. Meu vestido não havia chegado. Houve um acidente atrasou a entrega… mas ainda chegou a tempo para o “normal” de um casamento.
    O que mais marcou neste incidente, foi na verdade a tranquilidade do Humberto (ao telefone) me acalmando. Use aquele seu terninho preto que você comprou pra viagem. Você vai arrasar. Imagine você uma noiva entrando na igreja com um terninho preto? Preto? Mesmo sem contar que toda noiva sonha com esse dia…com o vestido, enfim…. um terninho preto apareceu assim como algo sobrenatural.
    Como tenho meus segredinhos, rápido, rapidinho, esta noiva se arrumou e com um colorido todo especial, rumou para a cerimônia, a festa e dali para nossa vida em comum.
    Hoje somamos 41 anos de muita experiência, amor, respeito, algumas desavenças, mas seguindo sempre na direção do amor e da compreensão. Somando e agradecendo os bons momentos e deixando para trás o que devemos esquecer.
    E ao padre que não quis nos casar (isto não esqueci), gostaria de dizer que ainda vamos renovar muitas promessas feitas neste casamento.
    E assim vamos vivendo nossa vida. Com a força de nosso envolvente amor que gerou esta família maravilhosa de filhos, netos, noras e genro.
    A vida, perene quebra-cabeça, cada vez mais vai acumulando peças, formando novas figuras que vão se moldando aos caminhos da vida, sem, no entanto, mudar a essência e os princípios que norteiam e garantem este bom caminhar.
    Depois de 41 anos, continuamos desfrutando deste nosso “namoro” com toda a intensidade de ontem, sem medo do amanhã e nem culpa de sentir o prazer de bem viver e de prosseguir nesta eterna busca da felicidade.