Quando o homem consegue romper a invisível barreira que medeia entre a conhecida zona da consciência do homem profano e a zona ignata do homem sacro; e quando após esse passo decisivo, olha para trás, para o plano do seu velho Ego superado – todas as coisas que outrora, formam o cobiçado alvo da sua desenfreada caça cotidiana, como a luz da lua e das estrelas noturnas ante o vitorioso avanço do sol matutino.


Esse homem sabe que acordou, finalmente, dum longo sono e sonho de 30, 50, 80 anos, e entrou no mundo da grande vigília, iluminado pela luz da realidade integral.
E o seu desejo é habitar externamente nesse mundo de verdade e beatitude. Como Pedro no Tabor, quer erguer aqui a sua “tenda” e nunca mais voltar as ruidosas e imundas baixadas do mundo profano dos homens e dos demônios.
E, se esta for a sua missão peculiar, não desça do Tabor; mantenha-se em ininterrupta adoração à Deus, e envie ao mundo lá embaixo as vibrações da sua mística anônima, na certeza de que essas vibrações atuam a qualquer distância e põem em movimento todos os receptores longínquos devidamente sintonizados pela invisível emissora. Uma vez plenamente redento, será ele redentor para seus irmãos sedentos de redenção.
Se, todavia, for outro o caminho da sua missão terrestre; se tiver que regressar, externamente, ao mundo imundo das profanidades, a fim de ajudar a seus irmãos, regresse corajosamente aos meio dos ruídos impuros – mas leve consigo a sua silenciosa pureza e, como a luz, não permite a menor contaminação ou contágio das trevas.
“A luz brilha nas trevas – e as trevas não a prenderam”.