Entendendo o Abstrato

Pedro da Costa

Quase todos nós atingimos um momento na vida em que, mesmo seguindo as regras e fazendo tudo o que se espera de nós, não estamos felizes, nem satisfeitos.
O que fazer então?
Uma vez que o homem adquiriu plena certeza pela intuição espiritual, nunca mais pode cair vítima da incerteza, embora ligeiras nuvens possam por vezes, empanar o brilho dessa consciência divina.
Pode o crente perder a sua crença em Deus – mas não pode o ciente perder a sua ciência de Deus. Há regresso desta para aquela. Posso saber hoje o que ontem ignorava – mas não posso ignorar amanhã, o que hoje sei de Deus, por intuição experimental. O que sei por experiência íntima é patrimônio meu, inalienável, no presente e no futuro e para todo o sempre, porque essa experiência é identificada com o meu próprio ser – E como poderia eu perder o meu ser?
Depois duma experiência assim, desertará de mim o derradeiro vestígio de dúvida, o mais tênue resquício de incerteza. Sei que tenho os pés solidamente firmados na rocha do Eterno, do Absoluto, do Infinitivo; sei que atingi a última fronteira da realidade.
E com o desvanecimento da dúvida sobre Deus, desvanece também a dúvida sobre mim mesmo. Sei o que sou. Sei aonde vou…
E, então vem sobre mim essa grande Paz, essa imensa serenidade, essa dinâmica e dulcíssima beatitude que ultrapassa toda a compreensão, da qual poucos sabem.
Sei agora o que Jesus quis dizer com as misteriosas palavras: “O Reino de Deus está dentro de vós”…
Sei o que é o “Renascimento pelo Espírito”…
Sei o que é a “Vida Eterna”…