Medicina, Arquitetura ou Jornalismo? Ou ainda, Ciências Sociais ou Engenharia da Computação? Decidir a trajetória profissional com apenas 16 ou 17 anos é algo que pesa para a maioria dos adolescentes brasileiros. As mudanças que o Novo Ensino Médio traz para a grade curricular dos estudantes podem ajudar nesse sentido. Além dos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os jovens poderão optar por seguir alguns dos itinerários formativos: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e as trilhas formativas voltadas para o desenvolvimento do Projeto de Vida.

Após muitos debates, a Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1000 horas anuais (até 2022). Com isso, a nova organização curricular se torna mais flexível e contempla as habilidades e competências da Nova Base Nacional Comum Curricular e também a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, como os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional. O novo currículo será implementado progressivamente para na 1ª série em 2022. Em 2023, para os estudantes da 2ª série, e consequentemente, para a 3ª série no ano de 2024.

Essa atualização realizada pelo Ministério da Educação tem o objetivo de garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje. A BNCC tem como objetivo tornar a educação brasileira menos desigual e com mais equidade. Dessa forma, busca reduzir as disparidades, no que tange a qualidade da educação, encontradas entre os diferentes estados brasileiros. 

O Novo Ensino Médio pretende atender às necessidades e às expectativas dos jovens, fortalecendo o protagonismo juvenil. A escolha do itinerário formativo será feita pelo estudante de acordo com suas aptidões, curiosidade e projeto de vida. Na carga horária referente aos itinerários formativos, o estudante precisa escolher uma ou duas áreas de conhecimento da formação geral para aprofundar seus estudos, ou ainda, a formação técnica e profissional para se aprofundar.

O Novo Ensino Médio não exclui disciplinas dos currículos. Ele mobiliza conhecimentos de todos os componentes curriculares em suas competências e habilidades e, portanto, torna seu desenvolvimento obrigatório.

No Colégio Marista Santa Maria, por exemplo, essas mudanças começaram já em 2020, com a implementação Future Skills, que visa desenvolver habilidades humanas e digitais, cada vez mais exigidas no mundo atual. Os estudantes cursam disciplinas como pensamento criativo, gamificação, inteligência emocional e programação. Ao longo dos três anos de ensino médio, o estudante é estimulado a conhecer diferentes habilidades, sempre com base em valores humanos, éticos e solidários. É a busca e a prática pelo equilíbrio entre o autoconhecimento e a cidadania solidária com o desenvolvimento acadêmico forte.

O direito de aprender e desenvolver competências ao mesmo tempo é o eixo norteador da base, contemplando escolas públicas e particulares. Não se trata somente das aprendizagens de cada componente, e sim da capacidade de ação e reflexão críticas, necessárias à prática da cidadania: são os conteúdos das diferentes áreas do conhecimento a serviço do desenvolvimento de competências e habilidades.

Sandro Anselmo